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Férias… Mundiais

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África África do Sul

Sentadinho no aeroporto, aguardo pelo momento de embarque para a Cidade do Cabo. Finalmente, uns minutos sem pensar no que quer que seja. Apenas serenar. Inicio este texto, pois lembro-me de todos quantos me disseram que iam ser umas “férias ótimas” no Mundial da África do Sul. Tontos. Tontinhos…
Depois de uma curta noite – e mal dormida – ainda não eram 08:00 quando ontem já ia a caminho da misteriosa seleção da Coreia do Norte. O GPS funcionou e uma hora e pouco depois já lá estava. Hotel ‘blindado’, como seria de esperar. Estacionámos do lado oposto.
Em menos de um minuto, aparece-me um português mestre de taekwondo que é amigo de um norte-coreano que está a servir de cicerone à seleção. Haverá melhor forma de começar o dia de trabalho?
Feita a entrevista, logo depois a ‘menina’ (GPS, com voz sensual) engana-se e deparámo-nos com um jardim-de-infância onde deveria estar um estádio. Tudo tranquilo. Erro corrigido e impercetíveis 45 minutos depois já estávamos no local do crime: um estádio com bancadas para 20.000 verdadeiramente plantado numa zona de exclusão social. Um gueto autêntico. Sem-abrigo, drogados, gangs, enfim… tudo bons rapazes.
Altos muros a torneá-lo (o estádio, claro) e, como se não bastasse, um rolo de arame farpado para que os trepadores e homens-aranha lá do sitio não consigam transpor a barreira.
Com mais sorte do que juízo, conseguimos entrar no recinto. Deu para filmar e até para entrevistar o responsável que, mal nos topou, quis logo correr connosco.
Almocinho em local tranquilo só a uns 25 quilómetros. Um texto, seguido de outro e mais outro e começo a atacar o vídeo da manhã. A net é fraca, tem de ficar para mais tarde. Já estamos sem muita folga e metemo-nos a caminho do estádio que alberga os norte-coreanos.
Um surpreendente trânsito infernal quase nos arruina o dia. Chegámos. A aventura vivida, para contar depois.
De regresso à ‘agitadíssima’ Magaliesburgo, dá para adiantar serviço no Media Center e um jantar (bem) tardio. Depois? Atacar o trabalho, já na caminha.
Por volta da 01:00, decido pôr o portátil na mesinha de cabeceira e relaxar os olhos cinco minutos. Acordei com o despertador esta manhã. Pequeno-almoço em stress, correr para o centro de imprensa, atacar dois textos mais um vídeo, treino da seleção, conferência de imprensa, escrever e mais vídeos. Fazer a mala à pressa, conduzir duas horas em contramão, arranjar um parque e relaxar enquanto ataco um gelado com salada de fruta.
Mereço?
Gosto destas ‘férias’…

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

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