I’m Sorry, Lu You

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África África do Sul

– “Sou uma viciada em trabalho. Não tenho férias. Mas adoro o que faço”, disse-me, a certo momento, Lu You.
A jovem é repórter da CCTV, a estação de televisão oficial da China. Enquanto eu lhe pergunto por novidades do seu país, após a minha fantástica experiência nos Jogos Olímpicos Pequim2008, Lu You desdobra-se em perguntas sobre a seleção de Portugal. Revela grande preparação e profissionalismo sobre o tema.
Cristiano Ronaldo prepara-se para falar na conferência de imprensa e ela também deseja saber curiosidades sobre a estrela lusa. Digo-lhe que não tem feito muito na seleção, que há 16 meses que não marca um único golo pela equipa das Quinas e que o único ‘tento’ na era Queiroz tinha sido de penalti e num jogo amigável.
A certa altura, Lu You diz-me: “O Messi marcou”.
Eu, entretido a escrever a conferência do Carlos Queiroz, e sem me recordar que a Argentina não estava a jogar, anuí com a cabeça e sorri. Já se sabe que um homem não consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo, muito menos quando é trabalhar e ouvir, com atenção, uma muito comunicativa donzela.
Minutos depois, Lu You, destemida, pede o microfone e desafia Cristiano Ronaldo.
– “O Messi já marcou, está na hora do Cristiano Ronaldo marcar também?”.
O ‘puto’ riu-se. E atira de pronto: “Só se marcou no Barcelona”.
A gargalhada é geral. Centenas de repórteres.
Messi efetivamente não marcou. E toda a confusão se deveu a uma simples questão de entoação. Eu entendi que ela me estava a comunicar que Messi tinha marcado, ela julgou que eu entendi que me tinha feito uma pergunta. Com essa nuance Lu You acaba alvo da chacota geral, tendo mesmo sido, no final, aconselhada pelo Media Officer da FIFA a prepara-se melhor para as conferências de imprensa.
Ups… Sorry, Lu You!

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

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