Game Over

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África África do Sul

Citação:

“Portugal abandonou o Mundial2010 deixando um rastro de palidez, defraudando as expectativas dos que apostavam na qualidade do seu jogo e futebolistas, especialmente o capitão Cristiano Ronaldo, que não ‘apareceu’ na África do Sul.
Na altura do sorteio da fase final, em dezembro, muitos vaticinaram o que veio a suceder – segundo lugar no Grupo G atrás do Brasil e afastamento pela campeã europeia Espanha nos oitavos de final – mas a verdade é que o desempenho luso soube a pouco e a seleção regressa a casa sem glória, com toda a justiça e naturalidade.
A equipa de Carlos Queiroz colocou-se em bicos de pé na altura de traçar objetivos ambiciosos – quase todos os 23 convocados falaram no título ou meias-finais – porém quando teve adversários à altura das suas aspirações, não teve estofo nem ambição para os bater.
Bastava um triunfo contra um destes grandes mundiais e tudo poderia eventualmente ser diferente, mas provavelmente não muito, pois a equipa nunca encheu as medidas, excetuando o invulgar 7-0 à Coreia do Norte, mais fruto do desnorte asiático do que de um deslumbrante conjunto português.
O habitual descontrolo verbal dos atletas na definição de metas acabou por virar-se, mais uma vez, contra a equipa na hora de fazer o balanço de nova participação que soube a pouco.
Portugal tem merecido a admiração do mundo pela beleza do seu futebol ofensivo, no entanto a verdade é que se apresentou neste mundial com clara tração atrás: Queiroz quis começar a construir a equipa pela defesa, área em que até foi forte, mas esqueceu-se de que sem golos as vitórias dificilmente surgem.
Contra adversários do seu tamanho, os ‘navegadores’ retraíram-se quando deviam fazer peito e ficaram em branco frente à Espanha, Brasil e Costa do Marfim: pior ainda, é que poucas situações de perigo criou, deixando a clara impressão de ter estado bem longe de vencer qualquer um desses desafios.
A maior frustração, principalmente para Eduardo, é ter sido afastado da prova ao primeiro golo sofrido: o problema é que na fase a eliminar não há mesmo margem para erros e os detalhes decidem.
Muitos olham para Cristiano Ronaldo como o D. Sebastião da seleção, só que o melhor do mundo em 2008 e segundo em 2009 nunca esteve à altura dos desafios e responsabilidades, impotente para dobrar o Cabo da Boa Esperança lusitano na prova e terminando o Mundial sem verdadeiramente cá ter estado.
O capitão, cujo estatuto alguns contestam, surgiu como a estrela mais mediática do Mundial2010, batendo a concorrência, porém, na seleção de Portugal, continua a ser uma sombra do que tem sido no Real Madrid e foi no Manchester United.
O mais caro futebolista da história marcou apenas dois golos nestes dois anos da era Queiroz e, desde que brilhou no Euro2004, tem vindo a decrescer de produção em cada fase final.
A presença lusa ficou igualmente marcada por vários casos, que começaram no afastamento do lesionado Nani, que em Lisboa disse que numa semana estaria recuperado, seguindo-se Deco a contestar as opções de Carlos Queiroz após o empate na estreia com a Costa do Marfim.
Quando chegou o fim da linha de Portugal no Mundial2010, Cristiano Ronaldo também não assumiu o estatuto e muito menos as responsabilidades, ‘chutando’ para Carlos Queiroz as justificações da eliminação.
Entre as deceções de Cristiano Ronaldo, Simão, Deco (falhou dois jogos por lesão) ou Liedson e as confirmações de Tiago, Raul Meireles e os centrais Ricardo Carvalho e Bruno Alves, fica a certeza de que Eduardo é um guarda-redes à altura de Portugal e que outro ‘plebeu’, Fábio Coentrão, acabou com o eterno problema de ausência de um lateral esquerdo de classe mundial.
Até porque há uma geração em fim de linha, agora é tempo de renovação na seleção, ficando por saber se a regeneração do futebol português vai prosseguir sob a alçada de Carlos Queiroz”.
Fim de citação.

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

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