“Jimbras”

Comentar

África Namíbia

Tínhamos percorrido já demasiados quilómetros de estrada no Botswana quando decidimos que naquela noite já íamos dormir à Namíbia. Melhor, à capital Windhoek, ainda a umas três horas e tal da fronteira.
Chegar a uma cidade desconhecida, completamente deserta à noite e à procura do Hotel Safari sem sequer ter o endereço não é boa politica. Por isso, mal vimos a esquadra da polícia, nem hesitámos.
– “Não é deste lado da cidade, mas não é complicado chegar lá”, diz-me a ensonada agente de serviço, indicando o caminho no mapa.
Quase que em simultâneo, um verdadeiro ‘jimbras’, que dormia num banco, salta para a nossa companhia e dá-me uma palmada nas costas.
– “Vamos. Eu sei o caminho!”.
Face à cara da agente, logo percebo que se trata de um personagem com o qual convém ter algum cuidado.
– “Relaxe, não é necessário. Com estas indicações chegaremos lá”, respondo-lhe, e saio da esquadra.
O Pina ainda fica a trocar umas impressões com a senhora agente e o prestável desconhecido ‘colou-se’. Quando me apercebo, a Estela já se chega para um canto do carro, para o nosso ‘convidado’ entrar.
– “Não te trazemos de volta nem te damos dinheiro. Mesmo assim, queres vir?”, esclarecemos.
– “Sem problemas, vivo pertinho do hotel”, convence-nos.
Chegados ao destino, a primeira coisa que tão invulgar figura faz (sempre munido de uma malinha com um suposto computador portátil) é pedir-nos dinheiro. Insistentemente. E a queixar-se precisamente de tudo aquilo para o que o tínhamos explicitamente avisado.
Ainda tenta fazer barulho na receção, que queria um quarto – pago por nós, imagine-se!! – mas leva com um esclarecedor NÃO e acaba por desistir. Entretanto, perdemos-lhe o rastro.
No dia seguinte, ainda o vejo na rua. Com os mesmos trajes, a mesma malinha. Não me reconhece, mesmo tendo falado com ele. A foto documenta o momento. Nesta segunda conversa, volta a dizer que é profissional da comunicação social. Irrrrrraaaa… não vou pedir emprego por cá.

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

code