“Não pode ser por mail. Tem de ser por fax”.

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Ásia Índia

12784735_838396452972994_1850632745_nConfesso que estas simples palavras me tiraram do sério. Depois de tantas outras irrisórias complicações, esta resposta leva-me a uma espécie de ira súbita, indescritivelmente feroz. Estou capaz de ‘esfolar’ viva a sua indiferente autora. A impotência de ouvir esta resposta a 300 km de distância aumenta a agonia…

O cenário deste interminável pesadelo é a embaixada da Índia. A complicada missão? Arranjar um visto com dupla entrada. Exigem um comprovativo em como vou sair do país… Se, conscientemente, peço um visto de dupla entrada, por que raio me estou a chatear com o assunto caso não pense mesmo em sair do país???

Depois de argumentar em vão, de lhe provar que o que me pede não faz sentido e que é demasiado fácil contornar a questão, lá faço  o óbvio: vou à internet e trato de estadia para duas noites em Katmandu, no Nepal. Uma reserva que nem preciso de usar e com isso resolvo o problema. Ou pensei que o tinha feito.

**ONE TIME USE ONLY, NO SALES, NO NEWS SERVICE, NO ARCHIVING** 3rd June 2011, New Delhi, India. Paperwork piled up at the District Commissioner's Office, Mehrauli Badapur Road, Saket on the 3rd June 2011, New Delhi, India

“Não pode ser por mail. Tem de ser por fax”.
É aí que a frase entra nesta história, referindo-se ao envio do comprovativo. Conto, serenamente, até 10. Claramente insuficiente. Começo até 100, mas duvido que baste. A embaixada da India em Lisboa está a comportar-se como um verdadeiro ‘complicómetro’.
São múltiplos minúsculos e patéticos obstáculos (não chamo obstáculos às regras que cada país entende necessárias para ser visitado) que já retiveram a minha boa e prestável amiga Teresa duas manhãs na embaixada (A minha homenagem a uma paciente interlocutora entre uma zelosa burocrata funcionária e um impotente e distante interessado em viajar para a Índia).

Insisto uma e outra vez com a Teresa. Para lembrar à Exma. funcionária de que eu estou no Porto. E que é normal que não tenha fax em casa. E que o mail da embaixada serve perfeitamente para estas coisas. Em vão. “Tem de ser por fax”, insiste.

anna-versus-govt-cartoonA embaixada está quase a fechar e sobram poucos minutos para tentar evitar uma provável terceira viagem lá. Sinto-me mal pela ‘mártir’ que, em momento que certamente lamentará, decidiu ajudar-me. Desligo a 284ª chamada desta manhã e inspiro fundo. Sonho com uma solução mágica. Minutos depois, liga-me a Teresa. O que mais vai acontecer?? Afinal, está tudo bem. Já posso usar o mail. Nem quero saber porquê. Limito-me a enviá-lo.

Sei que vou deparar-me com inúmeras situações destas na Índia. Só espero que o excesso de burocracia não crie problemas de maior. Com paciência e bom humor, estes obstáculos até dão boas histórias… mas, confesso, a minha paciência prefere outras.

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

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