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Exasperantes Burocracias

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Ásia Índia

“Não pode ser por mail. Tem de ser por fax”.
Confesso que estas simples palavras me tiraram do sério. Uma ira súbita, indescritivelmente feroz. Estava capaz de esfolar viva a sua autora.
A impotência de ouvir esta resposta a 300 km de distância aumentou a agonia…
O cenário era a embaixada da Índia. A complicada missão, arranjar um visto com dupla entrada. Exigiam um comprovativo em como ia sair do país…
Se, conscientemente, peço um visto de dupla entrada, por que raio me estaria eu a chatear com o assunto caso não pensasse mesmo em sair do país???
Depois de argumentar em vão, lá tive de fazer o óbvio: fui à net e reservei estadia para duas noites em Katmandu. Paguei uma ninharia por uma reserva que não vou usar e com isso resolvi o problema. Ou pensei que o tinha feito.
“Não pode ser por mail. Tem de ser por fax”.
Foi aqui que a frase entrou na história, referindo-se ao envio do comprovativo. Foi aí que me passei. Verdadeiramente. Não apenas por esta história, mas por várias outras.
Foram múltiplos minúsculos e patéticos obstáculos (não chamo obstáculos às regras que cada país entende necessárias para ser visitado) que retiveram a minha boa amiga Teresa duas manhãs na embaixada (A minha homenagem a uma paciente interlocutora entre uma zelosa burocrata funcionária e um impotente e distante interessado em viajar para a Índia).
Insisti uma e outra vez com a Teresa. Para lembrar à sua interlocutora que eu estava no Porto. E que era normal que não tivesse fax em casa. E que o mail da embaixada serve perfeitamente para estas coisas. Em vão. “Tem de ser por fax”, insistiu.
A embaixada estava quase a fechar e tinha poucos minutos para tentar evitar uma provável terceira viagem à embaixada da “mártir” que decidiu ajudar-nos. Desliguei a 284ª chamada naquela manhã e inspirei fundo, tentando uma solução mágica. Minutos depois, ligou-me a Teresa a dizer que, afinal, já podia usar o mail. Nem quis saber porquê. Enviei.
Sei que vou deparar-me com inúmeras situações destas na Índia. Só espero que o excesso de burocracia não crie problemas de maior. Com paciência e bom humor, estes obstáculos até podem dar boas histórias.

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

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