Aventura na Escola

Comentar

Ásia Nepal

Após promessa de contacto futuro, deixámos Hamit e arrepiámos caminho. Havia que recuperar tempo. A paisagem rural, polvilhada de casas humildes, pobres, mas com bom gosto, apresentou-se deliciosa. Tal como as suas gentes.
Amiúde, crianças aparecem com uma folha com o registo de alegadas contribuições para a escola. Não é a gente de meio palminho a quem vamos confiar a nossa ajuda.
Finalmente, uma escola. A primeira de muitas que encontrámos neste ambiente rural. Desviámos o nosso curso. A decisão mais acertada desta aventura.
Em segundos estávamos rodeados de uma multidão de pequenos curiosos. Dos cinco aos 15, eram uns 250 os alunos que aqui estudavam. O director da escola apressou-se a apresentar-se. Pedimos para explorar o recinto. Foi nosso cicerone. Juntamente com dezenas de outras excitadas crianças.
O primeiro desafio foi encontrar Portugal no mapa. Ninguém conseguiu. Pudera, apenas havia a sinalização da Península Ibérica.

Depois de passar pela sala dos professores – os que em Portugal se queixam de falta de condições deviam passar por aqui e ver se a ausência de dignidade dos meios de trabalho limitam a motivação dos docentes – iniciámos uma visita sequencial.
Retivemos a experiência com os mais novos e os mais velhos. No primeiro caso, turma e professores a cantar e duas criaturinhas a dançar com encanto ímpar. E com um orgulho como se exibissem os seus dotes a gente realmente importante.
No caso das mais velhas, um som mais moderno na K7 e uma dança bem mais arrojada. O resto da plateia feminina, analisava os visitantes de cima a baixo. Sobravam comentários. Risos adolescentes.

Por fim, propusemo-nos ensinar-lhes algumas palavras em português. O giz que nos deram foi racionado. Todos iam repetindo em voz alta os nossos ensinamentos.
No final, as fotos da praxe. Muitas. E a particularidade de muitas pedirem uma foto individual. Sobravam as crianças que nunca se tinham visto em registo fotográfico. Reacções puras de surpresa, admiração, encanto.

Deixámos uma contribuição. O responsável sem “jeito”. “É para ajudar a solidificar o sorriso destas crianças no futuro”.
Custou deixar aquele ambiente de há meio século atrás. Os acenos voltaram a ondular no horizonte até desaparecermos…

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

code