Frank, tu matas-nos!!

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Ásia Índia

Foi com sensação interior de “incomplete” que abandonámos Jaipur. Acreditávamos que estava ali uma outra Índia para se revelar. Depois de questões de saúde, foi o tempo a não permitir. Temos pena. Mesmo.
Às 06:00 já o comboio expresso rumava a Nova Deli, a nossa última etapa. Sem paragens ou escalas. Uma maravilha. Um fim de manhã, toda a tarde e o que restasse da noite para as ultimas coisas antes do regresso a casa.
Compras de ultima hora, cambio do derradeiro dinheiro e despedida do Frank, que continua a sua viagem. Estará pela Ásia quatro meses e meio. Inveja. Muita.
“Acalma-te, miúdo. Agora vais estar só. Tem juízo, não percas a cabeça. E tem resto de excelente viagem”, dissemos-lhe, após abraços sentidos. Como se fossemos amigos há uma vida.
Nas cinco horas de comboio, Frank teve tempo alguns comentários com locais que podiam ter degenerado em conflito. E o seu estado instável preocupava-nos.
“Como é que vocês aguentam um país assim tão porco?”, começou por questionar a surpresa plateia, antes de pedir “10 rupias” pelos óculos que uma esteticista deixou cair e ele apanhou.
Para finalizar em grande, perguntou porque é que Shiva, o deus maior dos hindus, fuma umas “ganzas”.
Nesta altura, um silêncio embaraçoso na cabine. Todos a olhar para o Frank. E para nós.
“Não, isso não é verdade”, assegurou um dos interlocutores. Com um olhar e tom que não admitia duvidas.
Ainda assim, o nosso bom amigo insistiu. “Sim, garantiram-me isso no Nepal. Que Shiva fumava droga. Era marijuana? Haxixe? É por isso que na Índia todos fumam drogas?”.
Temperatura a subir. Abruptamente. Rostos rubros. Respirações aceleradas. Do lado indiano. Plano de emergência. Do nosso.

“Qual o melhor mercado para comprar roupa em Deli?”, atirei. Vasco pegou imediatamente em papel e caneta para nos registarem essas dicas. E o assunto morreu ali. Já devia ter acabado antes…

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

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