Sobra vida em Katmandu

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Ásia Nepal

Chegar a uma cidade caótica e desconhecida às 05:00 não é aconselhável. Sem estadia marcada, ainda menos. Mal pisamos o solo, os taxistas acotovelavam-se para nos levar aos locais com os quais têm, naturalmente, comissão. Indiferentes – responder a todos significa não mais sair do lugar – seguimos caminho para fora da “central” de camionetas e 50 metros depois lá acedemos a dar a oportunidade a um angariador.
O João Garcia tinha marcado connosco no Khatmandu Guest House e foi essa a nossa primeira tentativa. Lamentavelmente, cheio. Ficámos a uns 30 metros, em local menos vistoso. Não chegámos a dormir. Pequeno almoço reforçado num dos múltiplos locais com wi-fi. Encontramo-nos umas duas horas, o João deu-nos umas dicas e separámo-nos. No dia seguinte partia para nova subida de montanha.
Exaustos, caímos na cama a meio da tarde. Acordamos à hora de jantar. Umas primeiras voltas interessantes em Thamel, a zona turística de Katmandu. Se nós, humildes homens, tivemos vontade de comprar de tudo em todo o lado, imaginamos as meninas…
Os preços não serão as pechinchas de outros tempos – natural, pois o turismo está a crescer sem controlo – mas o Nepal é um destino extremamente cativante e ainda a preços de saldo.

Na confusa capital, apreciamos particularmente a “monkey mountain”, um lugar religioso com fantasiosa arquitectura de outros tempos, toda em madeira, e com uma vista privilegiada para todo o vale. É daqui que Buda vê tudo… e nós também!

Ainda assim, a Durbar Square é o “must” da cidade. Três cativantes templos junto ao palácio real, cuja entrada é guardada por um macaco-deus-humano datado de 1672. Aliás, aqui tudo parece de há cinco séculos… Sente-se magia, misticismo. Há corpo, textura, cor…
As sagradas vacas e os inúmeros pombos disputam as oferendas, os locais circulam na sua azáfama diária, multiplicam-se os “personagens” de um cenário ímpar, felizmente sem muitos turistas a desvirtua-lo. Aqui, somos transportados para um outro tempo, um outro espaço.

A noite, já avançada, terminou à pancada. Ainda não sabemos se com tiros também. Ficamos sem certezas. Muitos vidros partidos e repetidos “go home”. Presumimos que o excesso de álcool não caiu bem na habitualmente pacifica relação entre os nepaleses e os turistas. A noite bem podia ter sido mais descansada…

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

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