Taj Mahal

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Ásia Índia

Ganhou fama de ser a maior prova de amor da história. Um afeto tal que virou lenda. É, também por isso, uma das sete maravilhas do Mundo.
Beleza em mármore branco. Incrustado com fios de ouro e pedras semipreciosas. Inscrições retiradas do Corão dão outro significado à obra.
Entre 1630 e 1652 foram cerca de 20 000 os homens que trabalharam arduamente para erigir aquela imagem de perfeição.
É o ex-líbris da Índia. A imagem que simboliza um país. O orgulho da nação. Uma obra extraordinária. Em qualquer lugar. Mais ainda numa nação marcada pela pobreza de demasiados milhões.
O imperador mongol Shah Jahan (sim, poucos o sabem, mas a Índia bem pode agradecer à invasão do então poderoso “vizinho”) foi o responsável por esse ícone, dedicado à esposa preferida. Quando morreu após dar à luz o 14º filho.

Os indianos pagam 20 rupias para visitar a sua maior vaidade. Os estrangeiros 750 (uns 12 euros). Apenas 37,5 vezes mais. Apenas. Ao menos, aqui, o “esfolar” do turista é assumido.

Comida, tabaco, isqueiros ou corta-unhas. Nada disso passa no controlo de segurança. Por isso, há que deixar a mochila no “lock room”. Pena que este não esteja à entrada e tenhamos de andar quase 10 minutos para cada lado.
Tempo para fotos. Tempo para desfrutar de toda a beleza. Tempo para pensar em como naquele tempo os sentimentos tinham outro valor. Tempo para saber que hoje seria impossível a repetição de gesto semelhante. Talvez até alvo de chacota. Ainda assim, tempo de plenitude. Tempo para nós.
Já com o Taj Mahal pelas costas, mas ainda dentro do complexo, a televisão filmava um programa com umas seis loiras. Nenhuma delas de parar o trânsito. Longe disso. Ainda assim, indianos encavalitados de máquinas fotográficas em riste. Loiras com ar preocupado. No lugar delas, e com as histórias que ouvimos, estaria igual.

A polícia bem tentou abrir caminho. À bastonada. Mas nem assim o tráfego humano normalizou. Nenhum dos muitos babados desmobilizou.
Indiferente ao insulto, o Taj Mahal continuou vigoroso, belo, altivo. A imperar no horizonte.

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

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