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Tic Tac, Tic Tac: a Índia a esgotar-se…

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Ásia Índia

Baldámo-nos e perdemos o jantar. Desenrascámo-nos com dois gelados para cada um. De qualidade e segurança mais do que duvidosos. A esta hora, não havia alternativa.
O relógio não enganava. Tínhamos, na melhor das hipóteses, quatro horas para descansar. Antes das 06:00 já deveríamos estar a pé. E com as malas prontas.
A perdição chegou da caixinha que mudou o mundo. Alterou a nossa noite. Real Madrid – Barcelona. Duas horas de “descanso” em vez de quatro. Assim até dormiríamos melhor no avião. Talvez…
A caminho do metro, tempo para gastar as últimas rupias. Pedem-nos por duas bananas o mesmo que tínhamos dispendido por um quilo na véspera (e já aqui tínhamos pago tipo o triplo do valor de mercado).
Má reação. Respondem-nos com um trocista “bye bye”. Aproximámo-nos dos idiotas (pelo ar que tinha a dupla, não pela atitude de “mercado”) e dizemos-lhes algo (que, obviamente, não nos lembramos) em inglês. Seguido de qualquer coisinha em português. Temem a nossa expressão. Engolem em seco. Levámos a nossa “ira” matinal para outra freguesia.
Já no metro, percebemos que já tínhamos abandonado a Índia. Ou quase. É, realmente, um meio de transporte bom, eficiente, novo. Estreou há semanas. E, por isso, ainda subaproveitado.
Fico a aguardar à porta do aeroporto. Vasco caminha longos metros para oferecer a última roupa. Seguimos para Check in. Pequeno almoço de seguida. Depois, sim, últimas rupias.
Fazemos mal as contas. Sobram 100. Já junto ao local de embarque, vamos comprar bebidas. Máquina não aceita a nota. Vasco percorre mais cinco pontos de venda automáticos. Nenhum quer o nosso dinheiro.
Cada um segura numa ponta da nota. Afastamos as mãos. Tive sorte. Fiquei com o Gandi.
Mostrámos bilhete, dirigimo-nos ao avião. Descemos degraus. Controlo surpresa da polícia. A confirmar o número de sacos. Estranho. Andámos mais 30 metros, novo controlo. Ainda mais invulgar. “É para vossa segurança”, respondem-nos, quando, com ironia, pedimos emprego.
Quatro lugares centrais só para nós. Podia ser pior. Estamos bem instalados. Prontos a levantar voo.

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

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