A “Hora” da India

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Ásia Índia

Decidimos inovar. Esquecer a aprendizagem de viagens em muitos países menos desenvolvidos e assumir a postura de um turista desprevenido. Uma hora, foi o combinado. E nada mais.

Queríamos comprar um bilhete de comboio para longa jornada. Algo aparentemente simples, apesar dos milhares que pintam o caos na estação. Lá veio o primeiro altruísta voluntário. Falou-nos no posto de atendimento ao turista. Vimos as placas. Fez questão de nos levar lá.
“Está fechado. Hoje é feriado. Só na cidade podem comprar os bilhetes. DCCC é o nome do local. Eu arranjo-vos um tuc tuc para vos levar lá. Não mais de 20 rupias (uns 30 cêntimos)”, avisou-nos o simpático novo “amigo”. Minutos depois já estávamos na DCCC, alegadamente o posto oficial de venda do estado. Na prática, uma agência de viagens de mau aspecto. Mesmo.
Dizem-nos que não há bilhetes. “Não em menos de duas semanas”, asseguram-nos. Mostram-nos no computador uma alegada lista de espera de dezenas de pessoas. Propõem alternativas. Avião a 145 euros. 175 euros para um plano C baseado em circuito turístico.
Não podia ser. Devíamos estar no destino em dois dias, retorquimos. Precisamos tirar dúvidas com amigos em Portugal. Desconfiam. Oferecem-se para nos facultar a internet. E telefone gratuito para ligarmos para a pátria mãe. Muito prestáveis. Tinham passado 35 minutos da Hora da Índia. Saímos do local para “pensar”.
Nem 20 passos tínhamos dado e já um “estudante” que apenas deseja m “praticar o inglês” se tinha oferecido para ajudar. “Nessa loja cobram-vos percentagem. Devem ir aos escritórios do governo. Ficam mesmo ali”. Dois minutos depois entravamos em nova agência de viagem. Restavam 5 minutos para o fim da Hora da Índia. O confiante funcionário não sabia. Esgotou-se o tempo. O seu “peixe” era o mesmo, mas com outros números. Ficou a falar sozinho…
Voltamos para estação. Directos ao posto de turismo. Afinal havia bilhetes. E a preços mais em conta. Alguma burocracia, mas reserva feita. Pragmatismo 1, Hora da Índia 0. É bom estar aqui…

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?

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