Pouco sono, muita comida, nenhum juízo

América do Norte Estados Unidos

“Passageiros Baptista e Loureiro, certo?”, questionou a atrapalhada assistente de terra. Ainda a recompor-se do susto. Travamos bruscamente, a um parco metro do seu simpático nariz.
“Certíssimo”, respondemos, em uníssono. Ainda a arfar da louca corrida de intermináveis… 50 metros. Momentos em que percebemos as horas e pensávamos que, desta vez, íamos mesmo ficando em terra.

“Ordem para embarcar?”, questionei, de seguida. Com o mais cândido dos meus sorrisos. Aproveitamos o seu alívio por, finalmente, poder concluir o embarque. Franziu a testa com ar condescendente e o seu olhar indicou-nos o caminho.

Faltavam apenas 13 minutos para o voo Miami/San Jose. Já não deveríamos poder embarcar. Perdemo-nos em faustoso almoço. E no tempo. Pela segunda vez em horas. Zombies de cansaço, nem percebemos que estivemos demasiado perto de ter o primeiro grande dissabor.

Horas antes, em Nova Iorque, avançamos para o check-in apenas 45 minutos antes da partida. Tinham-nos “exigido” duas horas. Nos EUA, as questões de segurança atrasam-nos consideravelmente. Exigem tempo. Aqui, no entanto, a simpatia dos funcionários da America Airlines não foi a mesma. Felizmente, tudo se resolveu.

Imponderáveis vários apenas me permitiram dormir três horas antes da partida, no Porto. A posterior ligação Nova Iorque/Miami, por volta das 05:00, também não nos deu opções de recuperar do sono perdido.

Sem tempo para dormir, optamos por vagabundos zigue-zagues em Manhattam. Mais do que uma contrariedade, assumimos a chuva como amiga. Times Square, Bryant Park, Broadway, Central Station, 5.ª Avenida… caminhamos o suficiente até digerirmos o delicioso buffet asiático, nos cansarmos e optarmos por ir para o JFK.

O terminal 8 estava praticamente deserto. Tal com outros passageiros, escolhemos um canto para repousar. Adormecemos. No chão. Como outros. Sobressaltados, acordamos. A tempo. Ainda estremunhados, retomamos a longa jornada que começou no Porto e nos levaria a San Jose, Costa Rica.

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Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?