Enfim, Costa Rica

América Central Costa Rica

O amarelo-torrado-alaranjado traiu-o. Em dia chuvoso, entre a multidão, surpreendentemente cinzenta, não era difícil. O folclórico chapéu peruano tornou-se a sua imagem de marca.Ali estava Zé Luís, quem tínhamos vindo resgatar. Saímos por uma lateral do aeroporto. Apanhamo-lo desprevenido. Saltou ao nosso grito. Já refeito, abraçou-me. “Parabéns, companheiro”. Lembrei-me que era o meu aniversário.O autocarro levou-nos ao hostel em 30 minutos. Em pé, cambaleando, a segurarmos as bagagens. Ávidos de saber como tinham sido estes dois meses do nosso amigo na Costa Rica.“Lamento. Já não consegui quartos triplos. Vamos ficar num de vários múltiplos de três. Homens e mulheres juntos. Seremos ‘apenas’ 13. Mas como hoje não é sexta-feira…”, ironizou José Luís, justificando a singular escolha da estadia.A Casa del Parque é bem melhor por dentro do que a decepcionante imagem exterior. Aliás, reconhecemos, com condições acima do imaginado.Minutos depois já explorávamos o mercado central de San Jose. Nada como iniciar uma viagem despertando os sentidos para uma nova realidade. O olfacto foi o primeiro a dar sinais. Mas foi a gula a tirar proveito. Deliciosas tortilhas de chili doce. Com decepcionantes sumos de piña. Fingimos que percebemos a distracção da menina ao fazer a conta. Afinal, encarecê-la 30 por cento a turistas incautos não será assim tão raro. Continuamos à procura de restaurante. Soda La Vasconia foi a escolhida. Ambiente popular. A lembrar as nossas tascas. Na parede, fotos da selecção de futebol da Costa Rica. Com um século!! Ricas e distintas sopas. Azteca, mariscos e consome. Para desenjoar. Alimentar. E satisfazer gostos exigentes. Fantásticas três em um. Cada uma valeu os exorbitantes cinco euros que custou. A tortilha também estava deliciosa.Tudo perfeito. Só não contávamos com as vozes de cana rachada que nos acompanharam ao longo do jantar. Na sala ao lado, zona de karaoke. Nunca ouvimos tanta gente… “impreparada” junta. Fantástico! Animaram ainda mais a nossa primeira noite.
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Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?