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Presidencial Esfinge

América Central Nicarágua

Não poderíamos ter escolhido melhor a estadia em Granada. “Luxos” presidenciais. A Esfinge, que agora alberga turistas, já foi casa presidencial. Foi mandada construir pelo general Terencio Sierra, antiga figura mais importante das… Honduras.

Fugiu do país. Trouxe muito, muito ouro. Mandou construir a casa. Nela morreu. Foi comprada por Andres Murillo, vice-presidente do General Somosa, que foi presidente da Nicaragua.
Célia e seu marido são agora os proprietários. Ele 80. Ela 73. A herança de família – a mãe dele era irmã de Murillo –  bafejou-os com este magnífico edifício colonial, eregido em 1903.
“Um tesouro destes chega-nos às mãos e agora não o poderemos manter na família”, revela Célia, em lamento resignado.
A filha casou com um chinês. Foi viver para Hong Kong. O filho varão está nos Estados Unidos. “E de lá não sai”, acrescenta, com ar ainda mais desalentado.
A placa “vende-se” no exterior do orgulhoso edifício amarelo não mostra a beleza de tudo o que encerra. Nem conta as inúmeras histórias vividas neste espaço privilegiado. Uma doce conspiração. Mesmo em frente ao histórico e caótico mercado.
“Diz-se que o antigo presidente enterrou aqui muito ouro. Mas preferimos nem saber. Já cá vieram várias empresas que queriam fazer testes, mas não deixamos. Se encontrarem ouro vai todo para o Estado. Se não encontrarem, ficamos com a casa toda esburacada”, justifica Célia.
Agora a casa esta à venda por cerca de 500 000 euros. O edifício, os jardins com estatuas precolumbinas, o espaço, a localização fazem com que este negócio seja uma “pechincha”.
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Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?