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Vulcões e Lagos

América Central Nicarágua

Nicarágua tem uns 15 vulcões. Uns mais imponentes. Outros menos vistosos. Nem os guias dos parques vulcânicos sabem a matéria de cor quanto a números e características. Apenas referem que integram uma bela e invulgar cordilheira vulcânica ao longo da América Central.
Decidimos ir espreitar o Masaya. Percebemos, sem muita surpresa, que, afinal, não se tratava de apenas um vulcão. Mas de vários. De uma penada, apanhamos quatro. Sem certezas absolutas, dizem que era um só, enorme, mas que ruiu e deu origem a vários.
Os espanhóis, quando cá chegaram, ficaram convencidos que se tratava da “boca do inferno”. De momento, estes não apresentam actividade que o justifique. Mas há dois ou três séculos tudo era bem diferente.
Pagamos mais do triplo dos locais para ver o mesmo. E se quisermos boleia nos seis quilómetros sempre a subir, há que voltar a ir ao bolso. Sem piedade.
Ainda fomos heróis, caminhando ate ao museu. Mas com menos de 20 por cento do recorrido e já com bafos de fora, optamos por pagar transporte do parque. Serviço “privilege”, na traseira de uma velha pick up. Nada como um ventinho no rosto…
Já no topo, fomos ao mirador. Advertiam para não nos expormos mais de 20 minutos ao enxofre (o vento trazia-o em letais nuvens ate nos). Nem cinco minutos conseguimos. Tosse compulsiva. Descer. Rápido. E subir outra encosta, para ver outro vulcão.
Contemplada bela lagoa que abraça estes vulcoes, hora de inverter a marcha. “Coro” a uns turistas. Estamos com sorte. Novamente em caixa aberta de pick up. Estamos a apanhar-lhe o gosto. Ficamos no museu. O resto do caminho a pé, a curtir. E a partilhar diabruras de infância que deixaram marcas no corpo. Cicatriz na pele. E mente.
Apanhamos transporte para o mercado de artesanato de Masaya. Muitas coisas. Poucas que realmente nos interessassem. Nenhuma que nos fizesse investir.
Almoço apetitoso no mercado. Caminhada para digestão. Novo transporte, em central caótica. Agora ate Caterina. Para ver a sua beleza e contemplar as translúcidas aguas do lago Apoyo. Começou a chover. Muito. Demasiado. Resistimos. Natureza fantástica. Do mais belo que vimos no pais. Mas lamentamos a meteorologia.
Voltar a Granada por caminhos travessos. Sempre em pé. Enlatados. O que mais importa: chegamos a “casa”..

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?