Chichicastenango

América Central

Esquilo foi a nossa melhor surpresa durante as horas rumo a Chichicastenango. Bondade extrema e pureza infantil unidas num pequeno e castiço sexagenário que se orgulha, como ninguém, da sua alcunha.
“Chamam-me esquilo porque podo árvores. Subo onde os jovens têm medo. Também cuido de jardins. Sou muito bom no que faço. Trabalho desde os 15 anos…”, resumia o meu colega de assento. Estávamos no primeiro de dois autocarros que nos levaria a uma das meças do turismo da Guatemala.
Munido da sua “macheta” (catana) de respeito, Esquilo também trazia consigo um peluche. Guardado como a sua maior e mais importante relíquia. Representava-o na perfeição. Durante a hora que privámos, contou-me parte da sua vida. No fim, estava determinado em fazer mais por nós.
“Hoje não tenho nada que fazer. Se quiserem, vou mostrara-vos Chichicastenango”, disse, voluntarioso.
Obviamente, não aceitei. Iria fazer mais três horas para cada lado. Despedimo-nos com agradecimentos. E fotos que muito o honraram. E ainda mais a nós. Mudamos de transporte. Nem um minuto de espera. E mais umas três horas até ao destino.
Chichicastenango destaca-se pelo seu colorido mercado, duas vezes por semana. Aos domingos, tudo ganha maiores proporções. Pelo ainda maior número de visitantes.
As vendedoras trajam a cultura local. “Cor” é mesmo o que mais se destaca. Nas vestes e em tudo o que se vende. Roupa, comida, souvenirs… de tudo um pouco é composto o mercado. Já muito voltado para o “turista”.
Sim, confessamos. Caímos em penosa tentação. Se as malas viajavam com alguma folga – embora não muita – a partir de agora tudo se complicou. O que “perdemos” em dinheiro, ganhamos em volume. Obrigados a cuidados redobrados na organização das malas, de etapa para etapa.
Ainda pensamos dormir em Chichicastenango, mas decidimos ganhar tempo. Avançamos para Panajachel, nas belas margens do mágico lago Atitlán. Aí chegados, num ímpeto resolvemos atravessa-lo na última lancha do dia. Sob um fantástico céu estrelado, rompemos sorridentes as águas até S. Pedro la Laguna.
Instalamo-nos com saída directa para o lago. O cenário justificava-o. Plenamente. E nós merecíamos..

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?