Rumo a Belize

Belize Guatemala

“O governo do Belize não nos deixa parar no caminho. Ou fazem a viagem completa até Belize City, ou ficam na fronteira. A escolha é vossa”, disse-nos, com ar de quem se está nas tintas, o motoritsa do shutle que nos levaria da Guatemala até ao próximo destino.
Para não termos de voltar uma hora atrás no percurso, queríamos sair em Belmopan. Na verdade, iríamos poupar uma hora para cada lado. Depois de confirmar com as autoridades na fronteira, tivemos a certeza de que não era mesmo possível parar. Regras…
Perante o ar incrédulo dos outros passageiros, optamos, evidentemente, por ficar apeados. Na fronteira. Nós e uma japonesa. A uns 50 metros de nos, andava em círculos. Perdida. Tinha demorado muito com o processo do visa e o seu transporte partiu. Foi-se. Confirmamos que estava tão enrascada quanto nós.
Prescindimos da “ajuda” dos táxis. “Vamos apanhar boleia”, dissemos-lhes. “Boa sorte”, com sorriso quase trocista, era a resposta inevitável.
Os minutos passaram. Carros ou camiões não. À vez, os taxistas continuam a vir até nós. Finalmente, contrariados, lá acedemos a pagar um para viagem de quatro quilómetros até primeira aldeia. Resgatamos Jim e pouco depois já estávamos no primeiro autocarro.
O terminal de bus da primeira troca era minúsculo. E havia poucos transportes. Só mais tarde percebemos que Belmopan era MESMO a capital. Taxistas insistiam que era melhor usar os sues serviços para chegarmos a Placencia. “Paciência, mas não. Aguentamos”.
Enquanto comprávamos fruta, ficamos a saber que sobram salvadorenhos no Belize. “Com a guerra, viemos muitos para cá”, diz doña Dulce, uma das comerciantes locais.
Jim já tinha seguido para Belize City. Nós mudamos de direcção. Ao som de raggae no autocarro, juraríamos estar na Jamaica. Nem faltaram rastas entre os passageiros. E os vendedores de todo o tipo de comida. O Belize nem 400 000 habitantes tem. Bus à pinha era problema que não se colocava.

Chegados a Independencia, fácil foi perceber que não poderíamos dormir aqui. Uma rua. Meia dúzia de casas. Um supermercado. Nada para fazer. Minutos depois, já no táxi-boat para a ilha no nosso sonho imediato.
Procurar estadia. Meia hora depois, challet na praia. Dedinhos a 15 sorridentes passos do paradisíaco e tranquilo mar…
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Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?