San Juan del Sur

Nicarágua

Garantem os especialistas que tem as melhores praias da Nicarágua. Para satisfazer banhistas e surfistas. A meia hora do lago Nicarágua, onde visitamos a ilha de Omepete.
Pela primeira vez, encontramos ambiente estival. Raros turistas locais. Em San Juan del Sur sobram europeus e norte-americanos. Turismo jovem. Descontraído.
Compartimos o quatro misto com mais sete pessoas. Outras insistem em ficar no hostel mais requisitado da região. Sem espaço nos quartos, acomodam-se em simples colchão em balcão exterior. O tempo está óptimo. Calor não falta.
Na vila, as águas do Pacifico não são cristalinas. O mar não tem ondas. A baia parece proteger um santuário. Nada como nadar com um sol a esconder-se progressivamente no horizonte. Destacando as figuras dos pequenos barcos ancorados ao largo.
Sol e lua ao alcance do nosso olhar. Imagem rara. Despedem-se ante o nosso testemunho. Lua vai subindo. O sol já se foi. Vamos caminhando. Espantando-nos com a palete de cores no horizonte.
As ruas começam a ganhar vida. E música. Importante boa escolha de restaurante. Apreciamos o bom peixe da primeira noite, mas foi uma pizza feita por genuínos transalpinos que nos tirou do sério. Mnhaaaammmmm!! Confessamos estar um pouco fartos de gallo pinto (arroz com feijão), servido a todas as refeições. Até ao pequeno almoço.
Na praia, sucedem-se bares. Subimos ao primeiro andar do mais animado. Estamos numa estância balnear de qualquer paraíso tropical. O ambiente é de festa. Algum álcool. Dança.
“Não desejam companhia?”, questiona uma das jovens que mete conversa. Caminhávamos, de novo, pela marginal. Sem que tivéssemos tempo de dar as buenas noches, já tinham fixado o preço nos 30 dólares. “Com direito a tudo”, acrescenta a mais ‘solta’, com um sorriso longe de cativante.
Ar amigável. E simpático. O nosso. Porém, não estamos interessados. Obviamente!
Perguntamos as horas (porque realmente queremos saber). “O tempo que desejarem. Vamos as duas por 30 dólares”. Não facilitam. Nem nós. Não quisemos estragar o negócio. Continuamos a deliciar-nos com os gelados e seguimos caminho.
Prometiam mais praias paradisíacas na região. Fomos ver. Novamente nas traseiras de uma pick-up. Cinco dólares valia ida e volta. Nova estafa. Zona inóspita. Mas com três bares, um deles com capacidade hoteleira.
Encontramos o paraíso para os surfistas. Ou, melhor, para os pretendentes a surfistas. Aqui são especialistas no ensino da arte de manter-se de pé em cima de uma prancha, dominando as ondas.
Não tivemos qualquer lição, mas éramos mais ousados mar adentro do que alguns dos candidatos a surfistas. A praia de Maderas não é propriamente indicada para mortais banhistas como nós. Assim que decidimos antecipar o regresso. Para a hora do intenso calor.
No mar, estivemos várias vezes para ser atingidos pelos ‘caloiros’ das pranchas. Já tínhamos arriscado demasiado. Ao menos, animaram-nos com quedas para todos os gostos. Das mais ridículas, às mais fantásticas. Algumas, verdadeiramente espectaculares.
Antes de gozar novamente a tranquilidade do Pacífico azul de San Juan del Sur, experiencia radical com barbeiro ‘nica’. Pensei que um de nós ía ficar sem orelhas. Afinal, correu bem demais. Nada para contar..

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?