“Banho” de Nova Iorque

América do Norte Estados Unidos

“Posso tirar-lhe uma foto?” questionou uma e outra vez. “Mas não sorria”, acrescentava. Em tom estranhamente sério. Sem travões na língua, Jerry não hesitava: sempre que uma “singular” figura cruzava consigo na rua, perguntava, apontava a máquina e disparava. E seguia tranquilamente caminho. A taxa de sucesso foi plena. Ninguém hesitou em posar. Mesmo sabendo que o pedido nada tinha de normal.
Os nova-iorquinos parecem assim. Abertos. Comunicativos. Simples. E prestáveis. “A cidade vive dos milhões de turistas que todos os anos cá vêm. E as pessoas já fazem parte do projecto NY. Gostam de tratar bem toda a gente”, explicava o sexagenário, nascido em Manhattam.
Fato de treino, mochila e máquina fotográfica. E um gorro para o frio. Que era muito. Demasiado. Temperaturas negativas. Jerry guia passeios pedestres em Nova Iorque há já 14 anos. Um roteiro idealizado por si. Começa às 10:00 e termina já depois das 00:00. Com pic nic ao almoço e indiano ao jantar. Desta vez, éramos28. A 10 dólares cada um… o antigo professor de ciências não se safa mal.
Levamos um banho de NY. E de curiosidades sobre imensas coisas relacionadas com a cidade. Que bem soube… uma transição nada pacífica da América Central. Não uma cereja em cima do bolo, mas uma sobremesa única. Distinta. Que sabe pela vida.
Começámos por conhecer a intensa e eficaz rede metro. É nas profundezas que melhor se circula. Apesar de raramente termos encontrado filas de transito em Manhattam. Foi assim, de metro, que chegamos à baixa. Passando sob a água. Foi de Brooklyn que avistamos a cidade. Do outro lado do East River.
Começámos por conhecer edifícios históricos. Entramos em Eden Market para comprar o almoço que deglutimos em Brooklyn Heights Promenade. Um miradouro com vista privilegiada para Manhattam.
Mais umas ruas com história e arquitectura ‘sui generis’, atravessamos Cadman Plaza Park e entramos na mítica ponte de Brooklyn. Ciclistas e corredores em permanentes alertas para os distraídos turistas. A febre da fotografia poderia ter causado múltiplos atropelos. Encontros indesejados.
Fomos ao City Hall, passamos na inglesa igreja de São Paulo, que albergou os que ajudaram a recuperar vidas no World Trade Center em escombros. É um dos locais de tributo a esses heróis do 11 de Setembro.
No Ground Zero pudemos ver como estão a nascer as novas torres. Com a particularidade da principal ser à prova de embate de avião. Até ver… Serão 3.3 biliões de dólares. O mais caro edifício da história dos EUA. E o mais alto.
Em Wall Street vimos onde se fazem fortunas.
Trinity church vale bem uma visita. Em Bowling Green regressamos ao encontro da natureza. The Battery e o Castle Clinton e os seus canhões antecederam o ferry para Staton Island. A única coisa grátis na cidade onde tudo é a peso de ouro. Passados ao lado da estátua da liberdade e atracamos. Voltamos no ferry imediato. Agora o símbolo da cidade fica à nossa esquerda e a linha de arranha-céus já luz à nossa frente.
O lusco-fusco que sucede ao pôr do sol dá lugar os néones. É a luz artificial que agora reina da cidade que nunca dorme.
Em parcos minutos de metro, já estamos a passear em China Town. Caminhamos de seguida para Litle Italy. E para o Soho. Artistas de rua. Visitamos lojas “esquisitas”. Em que se vende de tudo. De produtos “angelicais” a outros verdadeiramente “hard core”.
E maravilhados na galeria de Peter Lik (www.lik.com). Provavelmente o fotógrafo de natureza mais galardoado do Mundo. Com um trabalho notável. A sua obra prima custa módicos 2.000 dólares. “Mas as fotos podem ser encaixilhadas e usadas como arte”. Não duvidamos.
Jantámos indiano. Com um sorumbático musico a dar ambiente à sala em meia-luz. Arrisco nas ‘lassi’ que me vergaram em Abril na Índia. So far, so good.
Vamos ver a maior árvore de natal de Nova Iorque. No Rockfeller Center. “33 000 luzes”, garantem-nos. Não espanta tanto pelo tamanho, mas pela cor.
E é de cor e brilho que é feito Times Square, onde voltamos um mês depois. Acabamos a noite a subir ao Marriot. Forma bizarra de terminar o périplo pela cidade. Despedidas do Jerry em pleno metro. E um dia pleno. Com novos amigos..

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?