SEXTA-FEIRA 13

África Quénia

Em breves instantes, África revela-se aos nossos olhos. Não os seus encantos, mas alguns dos “vícios” que amarram o Continente a um Terceiro Mundo do qual será complicado sair.
Incauto, o Loureiro trouxe o passaporte sem páginas em branco. Erro primário para quem viaja. Azar, logo no Quénia o “selo” precisava de uma página inteira livre, que não havia. 25 dólares era o montante para o VISA, mas de 50 que entregou apenas recebeu o troco de 20. E melhor mesmo foi não bufar…A mala do Mr. Batista chegou sem pega e “cabo” pelo qual é puxada quando locomovida com as suas rodinhas (nenhum dos três se lembra do nome… vírus africano.. já começamos a ficar… lentos). Basicamente, transportar a mala, só a peso. Na óbvia reclamação, o zeloso funcionário andou às voltas até entregar uma cópia onde sublinhava os danos de bagagem pelos quais a British Airways não se responsabilizava. Basicamente, a menos que alguém serrasse a mala a meio, não há direito a compensação.
Já cá fora, direto a um balcão da BA, mas a conversa mole foi a mesma e nem um impresso existia para fazer uma participação.Entretanto, já tinham fixado em 22 dólares o preço para levar dois turistas (a dupla Carlos & Carlos) de taxi. Já com algum “calo” em “moinas” de vários cantos do mundo, o Batista garantiu ao taxista que por 12 dólares um amigo seu tinha feito o mesmo trajeto um mês antes. Baixou para os 15. Mantivemo-nos inflexíveis nos 12. Ngatia assistiu à conversa e comentou que nos transportaria para o centro. Assunto resolvido, pois aquela hora já não circulam outros transportes coletivos. Conversa interessante com o motorista da universidade de Nairobi. Com 84 dólares mensais sustenta mulher e dois filhos. Com 10, deixou-nos à porta do Meridian. E com um sorriso. Com outro sorriso nos receberam no hotel, nos levaram a um quarto com qualidade infinitamente inferior ao Meridian standard e ainda com os dentinhos todos de fora nos prometeram cambiar dólares a 71 xelins e acabaram por o fazer a 68. Poupamo-vos aos pormenores no pequeno-almoço incluído que agora custa 11 dólares/pessoa e à internet grátis que entretanto passou a custar cinco euros… nem quisemos saber por quanto tempo. Perto da meia noite, hora a que chegámos ao hotel, deu para comermos frango churrasco, kebab enrolado num frito de ovo do mais enjoativo possível a batata frita ranhosa cuja gordura ajudava a tornar o chão do restaurante o local perfeito para patinar…Pela primeira amostra da cidade, espera-nos muita confusão e milhares de quenianos em busca de escassos xelins para manter a família…No avião, Vítor era o hospedeiro de bordo português (nascido em Angola) que só descobrimos na última meia hora. Um simpático velhote argentino e uma bela donzela da Nicarágua – Jessica – foram os outros conhecimentos que travamos. Ele com saudades das touradas, ela para viver oito meses com o namorado holandês que trabalha no Quénia… Para uma sexta-feira 13, até nem nos podemos queixar muito…

(Viagem a África, 2009 – africatrio.blogspot.com).

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?