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NAIROBI, a caótica

África Quénia

I
A manhã acordou aos tiros. Um após o outro. Pensávamos que era tudo parte da festa. Afinal, o Quénia jogava com a Nigéria para o “play-off” do Mundial2010 e o momento justificava todas as celebrações.
Face à insistência do ruído, subimos apressados ao sétimo andar, onde está a piscina (ao ar livre) do Meridian.
Vimos gente a correr. Em todas as direções. Assustada, apressada. Numa esquina em frente, três militares pareciam contar as munições. Segundos depois, avançaram. Decididos.
Esperamos. Esperamos…  Não voltamos a ouvir tiros. Foi a última vez que vimos os militares…

II
Calcorrear as confusas e apinhadas ruas de Nairobi não é fácil. Torna-se mesmo desgastante. Demasiada confusão. Ainda por cima, trânsito em sentido contrário ao que estamos habituados e total desrespeito pelas regras.
Por tudo isso, nada como, ao fim do dia, uma piscina com vista panorâmica. Por nossa conta… Valeu. A repetir!

III
– “És tão bonito”, murmurou a estranha, enquanto encostava o seu corpo ao do Batista. Surpreso, o Rui indicou à jovem que “o bonito” era o Morais, a seu lado.
Sem reagir à ironia, a ousada queniana olhou para o fio do Batista (percebe-se o desenho de um caldeirão e um feiticeiro, em objeto de origem tibetana) e, num súbito ar de quase terror, perguntou do que se tratava.
Nem esperou pela resposta. Fugiu a sete pés. Supersticiosa? Naaaaaaa…
No Simmers é assim. Não faltam locais (donzelas, claro!!) ao ataque e turistas (nós, neste caso, os únicos) à defesa. Como desejado, ficamos em ‘branco’.
Para o ego de qualquer um de nós, sobraram casos que podiam ser aqui relatados, mas não vale a pena maçar-vos com esses pormenores… Apenas uma triste certeza: aqui, em Nairobi, é certamente mais difícil arranjar preservativos do que com quem os usar.
PS:
Hã!!!! Não podemos esquecer que o nosso muy bem amado queijinho custa aqui algo mais do que os olhos da cara (também não custa tanto quanto alguns de vós estão a pensar).
Por nove miseras fatias (200 e tal gramas) sabem quanto pagamos? Sabem? Quem adivinhar, recebe uma recordação de África :).

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?