Rumo a Arusha

África Tanzânia Tanzânia

Amanheceu cedo. Demasiado. Para nós. Às 06:30 já estávamos em pé… Deu para ver as cores do nascer do sol no Quénia. Como foi em Nairobi, nothing special…
Depois de três noites na capital, a etapa seguinte foi Arusha, já na Tanzânia. Arriscámos a aparecer sem comprar bilhete. Tivemos sorte. Arranjámos mesmo uma Hiace e três espaçosos lugares atrás do motorista.
À última, um velhote americano completou os nove lugares disponíveis. A Gene Harris tinham esfolado 30 dólares pelo percurso que a nós custou “apenas” 11 euros. Pior seria na fronteira…
Foram seis longas, entre território queniano e tanzaniano, mas sem diferenças pela troca de país: escassa estrada esfaltada, muito pó e demasiados slalons – de todos os condutores – a evitar os incómodos buracos.
Mesmo calado, era um grupo interessante: os três do “costume”, um americano importador de arte africana e quatro quenianos (um dos quais uma mulher da qual só ficamos a conhecer os olhos, bem giros por sinal – e, atrevida, jamais desviava o olhar sempre que os nossos olhos se cruzavam).
Chegámos às formalidades da fronteira. O Visa para entrar no Quénia custou 50 dólares, mas o americano pagou 100. “Deve ser pelos olhos azuis”, gracejou, resignado.

Nas desconfortáveis horas de viagem (notou-se o agravar da seca à medida que apontávamos a sul) o mais impressionante foi ver miúdos a pedir água à beira da estrada. O condutor da nossa Hiace atirou-lhes uma garrafa de água. Imitámo-lo, à primeira oportunidade. Vida janela fora. Certamente aguentaríamos mais uma ou duas horas sem líquidos, enquanto estas crianças desnutridas e praticamente sem roupa no corpo…
Incrível o número de cidadãos das dezenas de tribos que povoam estes países. Aldeias de barro e formigueiros gigantes fizeram parte da paisagem, tal como pequenos tufões de areia com empolgante efeito visual. A chuva – e como esta terra precisa dela – bem que ameaçou. Ainda pingaram algumas gotas, mas foi mera ameaça…

Finalmente Arusha. Agora, ao final do dia, ainda não conseguimos perceber quem ganha a prémio “Chato C’má Putassa do Ano”. A concurso as múltiplas mulheres da vida de Nairobi e os inúmeros vendedores (intermediários) de safaris na Tanzânia.
“Vingámo-nos” e comprámos o “pacote” a quem menos chateou, no bar do “hotel” onde ficámos. Para memória futura, num país sub-desenvolvido e numa cidade em que jantámos por três euros, demos cerca de 250 por três dias: Ngorongoro e Serengueti. Sabemos que este vai ser um dos pontos altos da viagem…
PS: A negociação do preço foi acompanhada por duas senhoras que nos ofereceram a cerveja… só ainda não descobrimos o que Linda e Doreen desejavam em troca. Algum palpite?
PSS: Linda pegou na mão do Batista e, com ar terno, atirou: – “Gosto muito de ti…”.
– “Também a minha mulher!”, disparou o Rui, tentando, a custo, tirar a mão das suas….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?