FOG THE KILIMANJARO!

África Tanzânia

Recuperado de franguinho indiano (agridoce e também picante), o trio madrugou em direção a Moshi. O objetivo era ver o mítico Kilimanjaro, a maior montanha de África. Os Deuses não colaboraram. O mau tempo (nuvens, chuva e nevoeiro) estragou os ambiciosos planos.
Após hora e meia de viagem, acabámos por esticar as pernas em Moshi. Duas horas a cirandar surpreendentemente limpa e organizada cidade base aos exploradores do Kilimanjaro.
“Podem ter de esperar vários dias até poder usufruir do Kilimanjaro”, disseram-nos. Contrariados, optamos por não perder um minuto. Continuemos caminho rumo à capital, Dar Es Salaam.
“São seis ou sete horas. Ou talvez nove ou dez”, resumiu um dos passageiros do autocarro da agência Muro. Infelizmente, confirmou-se o pior dos cenários.
21 deliciosas chamuças de carne rechearam a bagagem para as longas horas de viagem.
Sentimos que o azar nos iria continuar a acompanhar nesse dia. Pouco mais de uma hora de viagem e já o autocarro avariava. Sorte que foi mesmo numa estação de camionagem. Ou a versão africana do que pode ser uma.
Dezenas de mulheres e alguns homens atropelaram-se em direção às janelas. Amontoavam-se para chamar a atenção dos passageiros e vender-lhes os seus produtos, maioritariamente legumes e fruta. Enquanto estes comerciantes se precipitavam para cada veículo que chegava, sete valentes debaixo do nosso autocarro multiplicavam-se em engenhocas para o voltar a pôr na estrada. Pouco mais de meia hora. Afinal, estamos com sorte…
Minutos depois, nova paragem. Agora para ajudar um outro veículo da mesma empresa. São retiradas as pesadas baterias do nosso autocarro para tentar colocar o outro a funcionar. Após uns 20 minutos de tentativas, as caixinhas milagrosas voltaram à base sem chegarmos a perceber se foram bem sucedidas.
Mas o melhor estava reservado para a “sauna” do interior do bus: começava a saga do ‘Inspector Seba’. Um “jovem” polícia na luta contra o crime organizado. À parte de representações dignas do pior vídeo caseiro, ficaram na retina as cenas de pancadaria. Destaque para aquela em que o herói Seba levou cinco valentes patadas consecutivas nos “guizos” levantando-se de seguida com energias e motivação redobradas para acabar com dois bandidolas. É o maior!!
E, para que conste, o nosso herói é o ator principal, realizador, produtor e sabe-se lá que mais do filme.
Quando chegaram os vídeos da “MTV” local, respirámos de alívio. Não sabíamos, ainda, o que nos esperava. Marc Anthony não nos era estranho, mas ficamos a conhecê-lo na perfeição. Pelo menos os últimos 20 segundos de um dos seus vídeos. Com o DVD riscado, a música “saltava” consecutivamente para um momento anterior e assim continuou durante quase meia hora. Foi difícil convencer uma colaboradora da Muro a mudar de DVD. UFA!!! Só não sabíamos era que íamos ter de gramar com o Seba novamente… Aliás, mais duas vezes. O filme completo.
Foi um mimo! Já a trepar paredes e ansiosos que Dar Es Salaam surgisse no nosso horizonte, nem refilámos quando a saga Marc Anthony regressava, na salutar alternância audiovisual.
Se “há dias de manhã, em que um gajo à tarde não pode sair à noite…”, este foi, certamente, um deles.
Chegados a Dar Es Salaam, nova complicada negociação de táxi para um hotel no centro. À segunda tentativa, no mesmo hotel, ficamos no Sophia. O nosso regresso permitiu baixar os 120 dólares para os 85. Com wireless!!
Na manhã seguinte, verdadeira novela para comprar bilhetes de ferry para Zanzibar. Inúmeros vendedores aos berros a tentar levar-nos cada um para seu lado. Valeu o facto de já termos algum “calo” na matéria.
Após tranquila viagem de três horas, Zanzibar começou a desfilar aos nossos ávidos e empoeirados olhos….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?