Um pulo até Nampula

África Moçambique

Esta é a cidade que faz parte do imaginário da Sandra, sua terra Natal. Tem saudades das cores e aromas da terra. A Emília também foi “feita” em Namputa (com este calor, certamente muita mais gente foi feita aqui). Nossas boas (literalmente) amigas, a Nampula de que guardam memórias já é passado. Um sonho perdido. Pura ilusão.
À semelhança do que acontece um pouco por todo Moçambique, os portugueses deixaram saudade. Fizeram obra e integravam a sociedade de um país bem mais organizado e moderno. Nos últimos 30 e tal anos, os nativos nada construíram e deixaram quase tudo ruir, incluíndo os pilares de uma comunidade que, ao que nos asseguram, é agora bem mais individualista e muito pouco “familiar”. Esteticamente, não vimos, aqui, qualquer ponto de interesse.
Hugo Neto, amigo do Batista e marido da Ana Luisa (nossa companhia em Pemba), foi-nos receber ao machibombo. O Hugo é o líder da Helpo (www.helpo.pt) em Moçambique e foi nosso cicerone no “mato”, onde vimos “in loco” algum do trabalho de cooperação que a instituição desenvolve.
Já o sol tinha dado lugar à lua quando visitamos a missão católica liderada pelo padre Carlos Jacob, oriundo da Guarda, há 12 anos. Para dois infiéis e um católico não praticante (Loureiro), o “senhor padre” foi uma benção. Obrigado pela simpatia… e pelo queijinho e chouriço que nos recordou os sabores da terra 🙂
O jantar em agradável esplanada interior foi acompanhado de boa música e de uma conversa com a simpática empregada, que tinha dificuldades em entender o humor de um quintento (o Tiago, da Helpo, completava o grupo) que passou momentos bem agradáveis…
Acabámos por seguir os conselhos dos nossos cicerones e decidimos voar para Maputo (2.800 km de machibombo, foi o que poupámos – Lisboa/Berlim por estrada, com menor qualidade).Entretanto, enquanto não experimentávamos novo meio de transporte, fomos perder-nos na soberba Ilha de Moçambique, a umas três horas de viagem.

(Viagem a África, 2009 – africatrio.blogspot.com).

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?