GIPSY (Proibido a menores de 21)

África Moçambique

O Loureiro aterrou na cama, mas Batista e Morais decidiram confirmar a fama do Gipsy. Afinal, nesta viagem não tinha havido ainda uma clara exploração do sub-mundo noturno (leia-se, zona da prostituição). E Miguel tinha-nos garantido que, “culturalmente, é algo imperdível em Maputo”. Fomos confirmar.
O taxista fez questão de nos levar ao interior do bar, mas em 20 segundos já estávamos a explorar cada metro da famosa rua. Não fizemos o pleno, porém podemos assegurar que rara foi a menina que não cumpriu com o manual de boas maneiras, convidando-nos para “prazer”. Sorrisos tão abertos, quanto aparentemente inocentes.
A oferta era variada. Ia dos 350 aos 1.000 meticais (9 a 26 euros). A qualidade da “fruta” também era diversificada. Curiosamente, a única que em situação de perda total de juízo poderia valer a pena (relembrámos a promessa e código de honra de JAMAIS pagar por sexo) o desprendimento total pelo dinheiro, custava apenas 400 meticais. 10 eurinhos pela mais sagrada das  Deusas do prazer… Ofereci a prenda ao Morais, prescindiu. Agi da mesma forma ao seu generoso presente.
Acabámos por voltar ao Gipsy. Sentámo-nos a ver resumos da Liga dos Campeões. Da Europa. Ao contrário do esperado, ninguém atacou. Verificámos uma e outra vez, mas era verdade que não cheirávamos mal. Nem dos sovacos. Nem mau hálito, ao que parece. Teria sido do invulgar pedido de… água das pedras???
De forma natural, passados alguns minutos já privávamos com duas “ladies” de aspeto… aceitável. Não resistiram, e aproximaram-se deste duo mais do que charmoso.
– “O que fazes aqui?”, perguntou, socialmente, o Batista.
– “Broches”, respondeu, naturalmente, Mimi.
– “Como??”
– “Broches, cu e foda completa”, acrescentou. “Tudinho por apenas 350 meticais”.
Esclarecido. Paralisado. Sem saber por onde continuar a conversa. Do outro lado da mesa, Morais, para quebrar o embaraço, questionou Carol se os seus óculos tinham graduação.
– “Não. São apenas para o estilo. Sou a Doutora do Caralho”, vincou, dando uma estridente gargalhada, que se alastrou ao pequeno grupinho.
Mimi parecia estar noutro planeta, mas Carol revelou-se uma curtida, pelo que estivemos na conversa com ela uma meia hora. Tentamos convence-la a mudar de vida, mas, aos 28 anos, garante que ainda tem uma “longa carreira pela frente”.
Pelo menos, sentido de humor não lhe falta. E as piadas eram gratuítas…

(Viagem a África, 2009 – africatrio.blogspot.com).

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?