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Na terra dos Suazi!

África Suazilândia

Quando a vimos esgueirar-se por entre a chuva, como que a dançar, ainda não sabíamos que Liliana ía ser tão importante na nossa aventura. Foi uma tonelada de cerejas em cima do bolo que foi esta jornada épica. Mas, Liliana, vamos guardar-te para mais tarde…
Nada como o conforto de sermos recebidos por uma cara conhecida (do Morais) em terra estranha. Ainda para mais quando no caótico terminal de bus reinava a confusão e chovia consideravelmente. Em 10 minutos já estávamos na sua casa, gentilmente cedida para AfricaTrio repousar nos últimos dias deste périplo pelo Continente Negro. Uma “cottage” de sonho. Todas as mordomias. Em condomínio fechado. Não merecíamos ser estragados com estes mimos…
Fomos ao mercado de Manzini (as compras não foram muitas), a cidade mais industrial do Reino da Suazilândia. A meio da tarde, almoço no paraíso do Malandala’s. Um restaurante todo em palhota com uma vista deslumbrante e um ambiente todo ele de selvagem requinte, no qual nos sentíamos perfeitamente confortáveis.
Na segunda noite fomos ver um concerto ao Jazz Friends/Amigos do Jazz (não é tradução, é mesmo assim que vem na placa), uma cena muito experimental, em que os músicos iam chegando às pingas e fazendo as afinações enquanto os outros tocavam.
O pub tinha mais aspeto de casa de alterne do que o Gipsy (com ar muito respeitável), mas mesmo assim arriscámos e comemos do seu famoso frango. Na Suazilândia, a “carne” humana é bem mais perigosa. Lidera ranking do SIDA mundial com mais de metade da população infetada. Daí a distribuição gratuíta de preservativos a quem cruza a fronteira.
Mas voltando ao franguinho, meio para cada um. Cozinhado  diretamente com chamas de gás propano. Quando, ao final da noite, o Batista viu as cozinheiras limpar a cozinha, vislumbrando com nítida clareza espessas ondas de gordura escura… imaginámos uma noite de intensa atividade no WC. Felizmente, apenas falso alarme.
Ao terceiro dia, destacou-se o passeio pela Suazilândia rural. Em meia hora, já não havia sinais de asfalto e lá nos aventurámos os cinco (Vuci, manager de vários talentos e com vasto conhecimento da cultura suazi, fez-nos companhia várias vezes) num Nissan Micra, que avançava corajoso, qual Hummer em terreno adverso.
As paisagens foram fabulosas. Ficámos a perceber porque é que este reino tem um ‘elan’ tão especial. São as pessoas com saudável orgulho, uma cultura singular ainda pouco corrompida pelo mundo ocidental (não faltam tentativas, nomeadamente das varias ONG’s que só apoiam os carenciados caso estes cumpram com determinados pressupostos que violentam claramente a sua cultura e princípios), gastronomia pouco diversa, mas saborosa…. é TUDO! Fica a dica… venham à Suazilândia!

(Viagem a África, 2009 – africatrio.blogspot.com).

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?