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Regresso a Banguecoque

Ásia Tailândia

Madrugámos, mas não o suficiente. A ideia era ir ao mercado flutuante, fora de Banguecoque. O “jet lag” não permitiu aventuras. Ainda assim, arriscámos numa visita de barco à velha Banguecoque, que tem, igualmente, vários mercados durante o seu curso aquático.
Começaram por nos indicar o equivalente a 30 euros. Depois “só” queriam perto de 20. Fechamos negócio por cinco e uns trocos. A meias com um grupo de sete simpáticos e solidários norte-americanos. Reencontro de velhos colegas de faculdade.Poucos barcos-mercado. Regra geral, senhoras em frágeis casca de noz individuais a tentar vender-nos um pouco de tudo. Sem sucesso. Água, garças, casas saídas de filmes. Degradadas. Trabalhadores com roupas sem idade. Água turva. Bambus deslizam perdidos. Tudo de um verde inodor. Em uma hora a volta ficou completa. Neste caso, todos com sentimento de que o “tour” esteve algo abaixo das expectativas.Vingamo-nos em almoço junto ao rio, num dos vários mercados que visitamos. Fechando os olhos e seguindo o olfacto, quase podemos adivinhar qual a especialidade de cada um. O calor aconselhava local arejado. Em Banguecoque, nada como andar perdido para encontrar o que se deseja, ou imagina. Um mercado com pequenos amuletos – e como os tailandeses são viciados… todos munidos de exigentes pequenas lupas – e o das flores – cujo aroma apenas vimos desfilar pelos nossos sentidos – foram os mais interessantes. Um erro de casting levou-nos a um mercado que não desejávamos. Valeu o sono durante o caminho. E o aviso da “pica” que era hora de descer do decrépito autocarro. Afinal, o mercado era um… imenso shopping. A Fernanda investiu os primeiros bat’s numas calças que homenageavam elefantes. Estreou-as horas depois com uma queda em que o rabo terá contado três ou quatro degraus. Sorriu. Sem mazelas. No regresso ao hostel, confirmámos algumas boas novidades. Comparada com 2007, quando cá viemos a primeira vez, a cidade parece menos poluída. Ar menos denso. E as buzinas já não enfrentam o mesmo fervor dos condutores que se amontoam no ainda caótico trânsito. E os condutores de tuc tuc não chateavam nem um décimo. Ao contrário da primeira vez, também percebemos que há cada vez mais obesos. E, em idade escolar, não são assim tao poucos.Nestes cinco anos muita coisa duplicou de preço. Ainda assim, continua quase tudo muito barato.Rambuttri claramente mais interessante do que a ruidosa Khao San Road. Disfrutámos dos seus bares, musica ao vivo, vendedores ambulantes, lojas, a pensar nos turistas. Que são muitos. Boa parte jovens, com look também descontraído. A fome já aperta, mas não dispensamos massagem de uma hora. Mãos experientes. Full body. O corpo gemeu, contorceu-se, mas agradeceu. Jantar em esplanada na outra ponta da rua. De sobremesa, panqueca de banana com leite condensado. Abusamos. Ainda bem! Ainda ficou o travo gostoso… À porta do hostel, negociamos o melhor preço para táxi. Uns 10 euros por corrida de 30 minutos. Not that bad. Íamos madrugar….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?