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Ásia Vietname

Nham não era uma nova-rica vietnamita. Quanto a isso, não havia dúvidas. Sabia muito bem o valor do dinheiro. Gastava-o parcimoniosamente.
Rondava o metro e meio. 42 quilos “certos”. Na sua fisionomia, quase se adivinham traços de infância complicada. Aos olhos ocidentais. Não por maus tratos, mas por limitações básicas. Alimentação. E bens materiais.
“Trabalho para ter dinheiro. É o que mais quero ter na vida. Dinheiro. Aliás, o meu nome completo significa dinheiro”, confidenciou-nos, na inusual inocência dos seus 25 anos.
Pergunto-lhe o que fará com muito dinheiro. “Não sei”, ri, atabalhoadamente. “Nunca pensei nisso”, surpreende-me.
Insisto. “Talvez comprar comida”, espanta-me novamente. Questiono-a se sabe o que significa ter qualidade de vida. Sorri. A comunicação perde-se…
Diz-nos que o salário mínimo são 70 dólares. Mas que muita gente no Vietname já ganha 150. “A população começa a viver melhor”, afiança. Assume que o patrão japonês a trata bem, materialmente. Não entramos em números.
Domina várias línguas. O curso superior mudou-lhe a vida. Mensalmente ajuda os pais. Prefere viver sozinha num quarto e pagar mais, pois gosta de dormir às 20:00 e uma potencial companheira “pode gostar de música ou ver filmes até tarde”.
Song é uma das responsáveis de esplanada de um dos bares mais recomendados de Hanoi. Na borda do lago. Um part-time a que junta a um outro emprego.
“Trabalhas demasiado. Isso não é vida”, provoco. “Mas ganho (o equivalente a) 200 euros”, diz-nos, com simpático ar superior, confiante.
“Mas não tens tempo de usufruir do dinheiro”, alerto. “Mas ganho 200 euros”…
Mais tarde, conhecemos Li. Trabalha “14 horas por dia, sete dias por semana e sem férias”. Pergunto como consegue. “Não é nada de especial. Estou habituada”. Desnecessário perguntar quanto ganha….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?