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Siquijor Abraça-nos

Ásia Filipinas

Mesmo explorando apenas uma pequeníssima parte das Filipinas, sei que dificilmente encontrarei um povo tão acolhedor e simpático como em Siquijor. Uma ilha ainda imune às grandes vagas turísticas, mas que recebe com sorriso ímpar quem os visita. Crianças, pais e avós unem-se em entusiasmados cumprimentos que nos fazem sentir entre amigos. Como se fossemos parte da sua gente.
Aqui vivem 90.000 em pedaço de terra com menos de 350 km2. E onde imperam obscuras tradições místicas… Os espanhóis que dominaram o país durante quatro séculos chamavam-lhe Isla del Fuego.
Ao chegarmos ao cais de Siquijor, o habitual: somos engolidos por quem nos quer transportar de tricycle, garantindo-nos, falaciosamente, que o fazem ao mesmo preço do jeepney, veículo maior que liga regularmente as varias povoações. Afastando-nos do cais, tudo muda.   É tempo de serenidade.
Partilhamos o jeepney com cinco jovens trabalhadoras de Dumaguete. Vieram para um dia de lazer em Siquijor. Muitos sorrisos. Conversa fácil. Quem somos e o que falamos ali. Perguntam-nos ainda se estamos a gostar. O que pensamos das Filipinas. Para onde vamos a seguir?
Paramos em San Juan. Junto ao jardim central, com um belo, embora pequeno lago, tiramos a foto que imortalizará o momento. Despedem-se com o nosso nome em doces vozes.
Decido caminhar para o JJ Backpackers. As mochilas pesam, Carlos e Fernanda vão de tricycle. O JJ é lugar que nos foi amplamente recomendado e seria a nossa casa por mais tempo do que esperávamos. No trajeto, detenho-me em conversa com pescadores. Vendedores de fruta. E emigrantes quase reformados de visita à terra natal. Quilómetro e meio de gratificante que vai testar a paciência dos meus companheiros. Aguardam o meu contributo para decidir se ficamos.
“Não têm lugar no bungalow. Apenas em tenda que montarão na praia. Ficamos?”. Não precisei responder. Olhar e sorriso foram o motor que em poucos minutos erigiu o nosso teto. Na praia. Sob palmeiras. A metros do imenso e tranquilo mar….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?