13 Horas em contagem decrescente…

Ásia Hong Kong

Avião à meia noite ainda permite desfrutar o dia. Hong Kong é nossa. Até início da noite. Por isso, madrugamos. Sem tempo a perder, caminhamos para norte.
O Ladies Market ainda não está operacional. Ainda no início da azáfama de montar as inúmeras tendas que depois vão estar apinhadas de produtos. Horas depois, no regresso, merecerá uma incursão, mas sem demasiados cuidados.
Seguimos para o mercado das flores. Aquém das expectativas. Faltou diversidade, odores, surpresa. Encanto. Gostamos do que vimos, mas…
O mapa leva-nos para o mercado das aves, bem mais cativante. Perdemo-nos de amores por uma série de exemplares. Principalmente os mais coloridos. Mas é em liberdade que gostaríamos de os apreciar. Certamente, vários deles protegidos nas poucas partes do mundo onde nidificam. Mas chegaram até aqui, onde, infelizmente, o seu comércio é livre.
Nas várias entradas do mercado, “particulares” com a sua gaiola e pássaro de estimação. Trocam-se elogios. E muitos dedos de conversa. Fazem-se negócios.
Gafanhotos não têm vida fácil. Ainda vivos, são vendidos em sacos. São “gourmet” para a generalidade das aves.
Os pássaros à solta são quem mais aproveita. Cirandam pelo lugar à coca de alimento que vai sobrando, no chão. Limpezas de restos nas gaiolas e ainda o produto de descuidos de alguns vendedores.
O mercado dos peixes é o que mais entusiasma. E aflige. Qual desfile de moda, sobram exemplares com mais cores do que o arco-íris. De diferente intensidade, formas e tamanhos. Muitos, entulhados em pequenos aquários. Outros, em individuais sacos plásticos, presos por ganchos à porta das lojas. São o chamariz.
Ainda é manhã cedo. Fazem limpezas aos aquários e retiram inúmeros peixes, já mortos. Sinal de que os caros exemplares exibidos também terão a vida por um fio.
A antiga cidade amuralhada de Kowloon demanda caminhada custosa, mas não hesitamos. Em boa hora. Nem que fosse só pelos dois casamentos com que nos deparamos no caminho. Belas e chiques noivas em … All Star. Aqui é moda o calçado prático, traduzido em sapatilhas desportivas sob elegantíssimos vestidos de noiva.
Mais estranho, apenas os peluches que enfeitam os carros dos noivos e os exemplares que o casal raramente larga. Simbolizam o fim da meninice? É tempo de crescer.
A antiga cidade amuralhada traduzia na perfeição a crise de crescimento de Hong Kong, que no início da segunda metade do século XX desenvolveu a ritmo descontrolado. Um amontoado de prédios mal amanhados, estreitos, decadentes que davam uma imagem em nada condizente com o que Kowloon tinha sido.
Agora este espaço público prima pela serenidade e harmonia. Monumentos que celebram o passado. E a Natureza. Tem espaço desportivo. Parque. E concorrido jardim com estátuas representativas de cada um dos símbolos do zodíaco chinês.
Convida a um bom livro sem limitações de tempo para o saborear. 
No regresso ao coração da ilha, percebemos, na zona tecnológica, que afinal os iPhone e Android não serão exatamente a metade do preço, como nos garantiram. E que, ainda assim, não há preço fixo. Em lado nenhum. Depende de quem atende. Os preços mais baratos não o são assim tanto, a ponto de fazer arriscar uma compra… que pode muito bem ser apenas uma cópia “quase” perfeita.
Mais templos, mercadinhos e jardins fazem parte do roteiro pós-almoço. Encaminhamo-nos agora para a marginal, para apreciar o famoso “sky line”, do outro lado da baía. Hong Kong.
Inaugurado em 2004, o passeio das estrelas é dos locais mais concorridos. Talvez a mais mediática atração de Hong Kong. Reconheço Bruce Lee. Sei quem é Jackie Chan. Dos outros nomes que os olhos postos no chão vislumbram, nem sinal de familiaridade. Mas não faltam asiáticos a ajoelhar e colocar as suas mãozinhas entusiasmadas sobre a marca deixada pelas dos artistas. E a inevitável foto. Com os dedinhos da mão direita em forma de “V”.
As estátuas à realização também são muito concorridas no porto Victoria também preenchem a zona marítima de Tsim Sha Tsui, nesta ideia hollywoodesca que honra as estrelas do cinema made in Hong Kong.
De inverno, o sol esconde-se prematuramente. E é igualmente cedo que as luzes começam a fazer-se notar do outro lado da baía. As pessoas vão reservando lugar ao longo da marginal para apreciar o desejado espetáculo laser e musical no Sky Line.
Às 20:00, são milhares os que estão impacientes pelo show.  Durará uns 20 minutos. Talvez 10? Bom, fica algum sabor a deceção. Esperava mais da união entre a criatividade e poder financeiro de Hong Kong.
Ups… estamos apertados de tempo. Em passo apressado, recuperar as mochilas. Apanhar transporte para aeroporto. Raios, paragem de bus desativa. Temos de ir para outra. Vemos o transporte fugir-nos entre os dedos. Esperamos mais de 30 minutos pelo próximo. Chegamos a tempo de jantar à pressa e embarcar….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?