NADA É TAO MAU QUE NÃO POSSA PIORAR

América do Sul Colômbia

Quando a brigada anti-explosivos passou a alta velocidade – uma hora depois da ambulância e policia fazerem o mesmo ao som de ruidosas sirenes – percebemos que o nosso calvário seria bem pior do que o mais negro dos cenários. Soubemos que tínhamos de refazer planos. Nova ambulância, igualmente em altos “berros”, meia hora depois e no mesmo sentido apenas serviu para acabar de vez com as esperanças em final feliz.
“Vão para Santa Marta? Bom, podem viajar durante a madrugada. Ou saem manhã cedo. Arranjam umas miúdas para vos refrescar a noite”, riu-se o motorista do nosso transporte.
Não gostamos de nenhuma das opções. Perspicaz, mudou de assunto cobrando o bilhete da viagem que normalmente é pago apenas no final… Ficamos reduzidos a 1.000 pesos (1 euro 2.500 pesos) que ainda deram para um geladinho.
O dia despertou pouco depois das 05:00. Nem duas horas depois, já a caminho de Arabuco. Hora e meia por caminhos de cabras rumo a esta pequena localidade do outro lado da montanha. Missão cumprida. Com somente meia hora de atraso.
Temos de ficar à face da estrada a aguardar por nova ligação. Prometeram que havia de 10 em 10 minutos. Esperamos uma hora. Uma “van” com um motorista pouco expedito. Já refazíamos as contas.
Até que, a hora e meia do suposto fim desta jornada, nos deparamos com as consequências do dito acidente. Esperavamos chegar a Bucaramanga para almoço tardio… conseguimos um lanche fora de horas.
Para não atrasarmos os planos, optamos por seguir viagem. Parados quatro horas e depois seguir toda a noite a caminho de Santa Marta. Chegaremos pelas 06:00. Um simpático calvário de 23 horas..

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?