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MALA – A SAGA

América do Sul Colômbia

Mala I
Mala estragada no regresso do Mónaco. Companhia aérea não assume. Solução de emergência, comprar outra em last minut. Meço mal o tamanho. Exagero.
Faço a mala com cuidado estremo. Orgulho pelo resultado final. Inocente satisfação pelo espaço que consegui manter livre. “Vai servir para trazer material decorativo”, regozijo-me.
A dura e previsível realidade surgiu logo em Bogotá. Abri a bagagem, mas nada no devido lugar. Tudo o que estava lavado e passado, agora revolto. Um verdadeiro caos. E sem solução à vista.
Nos dias restantes, a mesma história. Sempre que uma viagem termina, o mesmo pesadelo de encontrar a revolução na caixinha que agora é vermelha. Debruada a preto.

Mala II
Aconselharam-nos a ir para Tayrona apenas com mochilas. Leves. Mas também nos garantiram que havia caminhos decentes. Rumo aos parques. Avisados da ausência de papel higiénico e outros bens essenciais, prevenimos. Evidente. Escusado era o inusitado exagero.
Uma mochila e uma mala – a do Zé Luís – mais pequena foram a solução. Pareceu-nos o adequado para visitar este parque nacional de excelência.
Cerca de 15 euros é o que cada estrangeiro paga para entrar. Boleia em bus decrépito ate ao início da vereda. Mais um euro. Início da caminhada.
Instante decisivo. Momentos depois, guias a cavalo aconselham-nos a recorrer aos seus serviços: “A mala parece pesada e o caminho é mau e exigente”, avisam-nos.
“Se houver problemas, vai às costas”, ironizou Zé Luís. Antes de ser obrigado a faze-lo.
Perdemos a conta às subidas abruptas e descidas íngremes. Em percurso tudo, menos decente e seguro. E nós, verdadeiros asnos, com um trólei de duas rodas. A fazer todo o terreno, pois os ombros não aguentam tudo.
Quem por nós passava, questionava-se o que fazíamos num lugar inóspito daqueles – selva pura, com trilhos “amadores” – com aquela bagagem. Sim, otários, respondíamos amiúde com sorridente olhar.
A caminhada de menos de uma hora transformou-se em mais de duas. Encontrar o local onde íamos pernoitar foi preciosa dádiva dos céus.
Instalamo-nos e… mundo, pois isto é Tayrona, um dos mais fantásticos parques nacionais onde já estivemos.  (não me perdoo falhar a foto do Zé Luís com o “bebé” nos braços).

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?