Amor. Paixão. Loucura.

América do Sul Colômbia

Paixão. Pura! Ao primeiro olhar. Confirmada no segundo, ao terceiro… Todo o encanto de tempos idos…
Depois de Buenos Aires, após Cusco, eis que a América do Sul arrebata novamente o peito: Cartagena das Índias.
Perder-me em elogiosos adjetivos é, ainda assim, diminuir a beleza desta cidade. Da parte antiga, amuralhada, entenda-se. Arquitetura colonial do mais belo que já vi. Varandas deliciosas salpicadas por todos os lados. Plantas a voar para a rua. Portas de invulgar criatividade. “Batedores” de portas fantasiosos. Cores fantásticas. E quentes. Aroma tropical. No ar. E nos caribenhos. Gente com sorriso do tamanho do mundo. Excelente comida. Praias divinas…
Ao primeiro jantar, apostamos na Casa Socorro. Um dos três restaurantes abertos pela famosa senhora Socorro. Sangue africano corre-lhe nas veias. Tal como muita inspiração na cozinha. Ambiente fantástico. Era dia de formatura no ensino superior. Múltiplos sorrisos em direção à nossa mesa. Femininos, entenda-se.
Também aqui, o peixinho é um must. Embora o ceviche não se possa comparar ao peruano.
Na manhã seguinte, as duas horas perdidas no hotel a ver o FCP a empatar 0-0 com aquele conhecido e poderoso clube começado por F foi a única coisa que lamentamos em Cartagena.
Não murchamos com o tropeção. Sandra Molina já nos esperava. A nossa guia improvisada. Uma simpática, culta e comunicativa jovem universitária CS que se predispôs a mostrar-nos os encantos de Cartagena. E foram tantos…
Ao fim da tarde, já depois de nos termos perdido em “raspa’o’s” (gelados artesanais feitos na rua, com maquinaria antiga e a partir de gelo, com sabores vários e leite condensado) fomos comprar vinho e bebe-lo no alto da muralha. Dengosamente sentados enquanto testemunhávamos o sol a desfalecer no mar. Naquele mar…
Lois, a americana de Manhattan, com 62 anos, mas saudável ar de quarentona, juntou-se-nos para jantar. Gato Preto foi a escolha. Não no menu.
Mais uma vez, uma refeição gravada na mente. E no palato. Conversa fantástica. Desta vez, vinho substituído por sumos naturais. Que perdição!! Já perdemos conta aos sumos naturais que bebemos neste país. Alguns, de frutos cujo nome jamais lembrarei.
Tempo de caminhar. Sempre de cabeça no ar. A apreciar a arquitetura desta cidade única. E bocas abertas de espanto a cada metro percorrido. Procuramos lugar para dançar…
Ao almoço seguinte, nova experiencia transcendente. La Mulata. Várias salas. Todas com temáticas diferentes. Apinhadas de gente viva. Com vida. Que vida! O sucesso é tal que se dá ao luxo de apenas servir almoços. Fecha o resto do dia.
Aceitamos depois o desafio de Lois, que encontramos a passear: visitar o mercado central. O lado B de Cartagena. A lembrar os mercados de Marrocos. Mas longe de deixar a mesma saudade. De espalhar o mesmo encanto. Aqui, em Cartagena, é preciso andar de olho mais do que aberto e não perder amigos de vista. Mesmo durante o dia. Tínhamos sido aconselhados a desistir da ideia da visita. “Não é propriamente seguro”, garantiram-nos. Repetidamente.
Ao fim da tarde, zona das praias. A parte turística de Cartagena. Animação. Muita. E outra qualidade de vida.
Cartagena deixou impressão digital no nosso corpo. E marcou-nos a alma. Aqui encontramos de tudo. E gente maravilhosa. Como em todo o lado nesta cada vez mais surpreendente e apaixonante Colômbia..

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?