Parque AVRI

América do Sul Colômbia

No Prado 61 sentimo-nos mais do que em casa. Ainda por cima, enorme suite por nossa conta. Com vista apreciável para vários pontos da cidade.
Mas era dia de explorar o famoso Parque Avri. Metro. Azevedo. Mudar para teleférico. Subimos. Subimos. Subimos. Como anjos, dirigimo-nos aos céus. Medellin mostra-se numa outra dimensão. A área urbana mistura-se com novos municípios. Uma enorme mancha que se espalha pelas montanhas. Às quais ganha, sucessivamente, espaço.
Sob a nossa cabine vão passando bairros de lata. Densidade populacional vai diminuindo com as alturas. Barracas edificadas em lugares incríveis. E, juraríamos, inacessíveis.
Há uma bela e moderna biblioteca municipal no cimo. É aí que mudamos de teleférico. Vão ser mais 15 a 20 minutos sobre as montanhas mais altas. E um deslizar suave sobre copas de frondosas arvores. Um regalo para os olhos. Seiva para a alma.
Percebemos que demoraríamos dias a explorar Avri. Tem hotéis, parques de diversão, inúmeros trilhos. Infelizmente, não tínhamos todo esse tempo.
Escolhemos uma aventura pedonal. Até à Lagoa das Pedras Brancas. Belo passeio. O mapa ajudou a que escolhêssemos sempre o “sendero” certo. Sem desvios que nos fizessem perder no espaço e tempo.
Foi aqui – a lagoa de um lado e do outro Medellin aos pés da nossa montanha – que fizemos o pic nic. Paz enorme. Toda aquela natureza só para nós. Apenas cruzamos com uma família guiada por guarda do parque.
No regresso, visitamos o ecológico quartel dos caribinieros. Na mesma montanha de Santa Helena. Um projeto fantástico. Em que nada de nocivo se produz para a natureza. Painéis solares. Excrementos dos cavalos utilizados para energia. Água reciclada.
Os equídeos são puro sangue argentinos. Super bem tratados. E afáveis. Fizemos amiguinhos novos. Cães especialistas na deteção de drogas igualmente treinados aqui. Todos os animais com rigorosos horários de trabalho. Bem tratados e entendidos como parte fundamental da equipa que zela pelo bem publico.
Percebemos como enfrentam e se protegem quanto a eventuais problemas de segurança com guerrilheiros e terroristas.
Por tudo o que vimos e a forma interessada e empenhada como nos mostraram o seu mundo, as forças da ordem colombianas ganharam pontos. Aos que já tinham somado em experiências anteriores. Educação. Respeito. Profissionalismo.
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Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?