Colibris, mariposas e filhas do vento

América do Sul Colômbia

Na tv são fantásticos. Ao vivo, divinos. Há centenas de espécies. Todas cativantes. Cafezinho colombiano na mão (mesmo não gostando, o cenário exigia-o), confortavelmente estendido em cadeirinha de casa de campo e flores a dois metros. Relaxados. Ouvíamos natureza pura. E duas dezenas de colibris a deleitar-nos.
Graciosos. Frágeis. Belos. Coloridos. Distintos. Cativantes. Adjetivos que sabem a demasiado pouco. Como todos os que possa encontrar para definir os inúmeros encantos do Recinto do Pensamento, nos arredores de Manizales.
Avançamos. Hora de apreciar os diversos tipos de bonsai. Lição sobre como os tratar. E como definir as suas formas. Tentado a ter um. Muito.
Voltamos a nova fantasia. Mariposas. Recinto fechado, translúcido. Entramos. Borboletas de todas as formas e feitios. Esvoaçam. Bailam à nossa volta. Saúdam-nos com a sua candura. Incrível paleta de cores. Inclusivamente borboletas “transparentes”.
Isto não está a acontecer. Mas estava mesmo. O grupo de cinco não parava com as fotos. A visita eternizou-se. O mundo tem poucos fenómenos desta beleza.
De volta ao ar livre, caminho por bosque húmido. Onde múltiplos espécimes das “filhas do vento” povoam solos e (adaptadas às) árvores. Há no mundo 35.000 espécies de orquídeas. Na Colômbia, 3.500. Poucas flores exibem esta beleza.
No fim da visita – que começou, invariavelmente, com viagem de teleférico – surpreendidos por enorme avestruz. E uma zebra. Exemplares ilegalmente detidos por privados. E agora recuperados. Pablo Escobar, o defunto e bem conhecido traficante de droga, tinha o mais completo dos zoológicos do país, em propriedade privada, em Caldas, na fazenda Nápoles.
Todos os sentidos pareciam preenchidos, mas o melhor ainda estava para vir….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?