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Empatia e gratidão

América do Sul Colômbia

S. Pedro não foi amigo. Tínhamos dois dias para ver os Nevados de Ruiz, um dos maiores desejos desta aventura. Não foi possível. Mais um motivo para voltar à Colômbia.
De Chipre, a vista alcança toda a região. É o ponto mais alto de Manizales. O monumento aos descobridores é das mais belas, significativas e completas obras de arte que já vi.
Lentamente, vamos descendo a encosta. Em direção ao mercado. Uma arena amarela. Mistura intensa de cores e odores. Vamos para as verduras. Uma lição sobre frutos tropicais. Nova embriaguez de sumos naturais.
O destino danificou seriamente a catedral por duas vezes. A sua fé manteve-a firme aos “desastres”. Subimos ao ponto mais alto. Algumas centenas de escadas. A vista circundante justifica plenamente o esforço.
É dia de partir. Queremos oferecer algo a quem tanto nos deu. Fazemos o que melhor sabemos, cozinhar (bom, temos outros dons, mas este é dos mais reconhecidos “internacionalmente”).
Uma mistura de mariscos. Legumes. Pasta. Sabiamente cozinhados e apresentados. Vinhos colombianos não nos convenceram totalmente. Três nações representadas no grupo de seis. Entretanto, junta-se um sétimo conviva. Austrália pareceu-nos boa escolha para o tinto.
Enquanto almoçámos, novo sinal dos céus: grande tempestade reduz a zero a visibilidade do Base Camp para a parte baixa da cidade.
“Não queremos que se vão embora”, ouvimos. Mais do que uma vez. Gerentes do hostel oferecem-nos (a nós e costa-riquenhas) fruta, fios, pulseiras… E um olhar de empatia e saudade antecipada que não vamos esquecer.
“Quita-te las gafas”, diz-me carinhosamente Rosi. “Tens uns olhos e olhar bonitos. Devias experimentar usar lentes”, acrescenta. Não sabe, mas a sua doçura comove-me. Deste e de todos os gestos nestes escassos, mas marcantes dias. Fazem-nos prometer que voltaremos. Garantimos que nos veremos novamente.
Seguiremos para Bogotá. Oito a dez horas para cumprir menos de 300 quilómetros. A tempestade piorou ainda mais o estado da estrada que já tinha sido vítima de derrocadas nos dias anteriores.
Karla e Lethi seguem para Caldas. Há muito que ver na região.
Temos as malas prontas. Afinal, vamos ter companhia. Em gesto de todo inesperado, mas muito apreciado, irmãs costa-riquenhas abdicam dos seus planos para nos acompanhar nas derradeiras horas na Colômbia..

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?