Reencontro em Tirana

Albânia Europa Kosovo

Passo pelas brasas quando Anna bate à porta do quarto. Tinha chegado mais cedo do que o previsto e foi passear. Agora regressava para o combinado encontro as 20h00. Tinha feito o mesmo, mas a última meia hora foi para  dar algum descanso ao corpo, sujeito a ritmo alucinante.Entra tímida. Demora uns minutos até sair um abraço. Um “agora está tudo bem”. Está mesmo e cedo tudo recupera a naturalidade entre nós. Conta-me o resto da sua peripécia na Macedónia. E enterramos o assunto. É final de tarde e decidimos voltar a percorrer as zonas centrais da capital. A noite traz outras perspectivas aos imponentes edifícios de Estado. Passamos por jardins e esplanadas animadas. A semana vai a meio, nada que impeça a muita juventude de sair e conviver. Há muito verde no coração de Tirana. O comércio floresce. A noite é muito agradável.Optamos por sabores do islão enquanto vejo o Real Madrid levar uma lição na Alemanha, com o Dortmund a repetir as maldades que o Bayern tinha feito ao Barcelona. Sem espinhas, mais uma vez.Os albaneses são simpáticos e afáveis, porém é quase aventura encontrar quem fale inglês. Até os jovens sentem alguma dificuldade em exprimir-se. Ou então tive muito azar. Mesmo.Tirana não estava nas prioridades e não foi minimamente preparada. Apenas improvisada, como um ponto obrigatório rumo ao Kosovo. Deixou curiosidade. Tem potencial.Vamos apanhar o bus das 06h00 e dizemos que saltaremos o pequeno almoço. “Nem pensar”, respondem-nos. Às 05h20 está prontíssimo. E saberá muito bem. Gentileza que não esqueço. Partiremos à hora certa. Finalmente,uma auto-estrada. Ou algo parecido. Começa e acaba sem motivo. Asfalto liso passa a estrada esburacada. Saídas para casas. Carros em contramão na berma. Na prática, vale tudo. O lixo persiste e mata rios e lagos. Felizmente que não seria assim em todo o país. A paisagem começa a mudar com as montanhas. As imagens idílicas competem em beleza. Quanto mais nos aproximamos do Kosovo, mais cenários imponentes. Alguns, a roçar o arrebatador.Quando atravessamos o coração da montanha – túnel de vários quilómetros – já falta pouco. As formalidades na fronteira são do mais rápido que já vi. Menos para um albanês que esqueceu passaporte e fica ali mesmo. Apeado.Deixam-nos a um quilómetro do centro. São 10h00. Entramos no primeiro hotel. A cidade é sempre a subir. Suite baixa para 30 euros. Não há turismo e os negócios não florescem ainda ao ritmo desejado. Arrematado! Estamos livres das mochilas e é hora de nos enamorarmos de Prizren….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?