Longas horas tem Prizren-Berat

Albânia Europa Kosovo

Falhar os pequenos-almoços, por despertar madrugador, começa a ser hábito. Mau, embora essencial para quem está limitado de tempo. Neste lado do Mundo os transportes nem sempre funcionam como desejamos. Vale o estímulo de um novo destino, que supera qualquer esforço ou noite mal dormida.
De Prizren a Berat, cidade albanesa Património Mundial da UNESCO, são apenas 300 quilómetros. Que demoram uma eternidade…
Decido facilitar e estou na estrada apenas às 08:00. Um luxo neste périplo, pois nunca partiria tão tarde.
O trajeto devolve-me a Tirana, pelo que começo com as mesmas paisagens de sonho, verei novamente rios e lagos poluídos (na Albânia), sofrerei do trânsito complicado até à escala na capital.
A primeira parte do plano corre consideravelmente bem. A ideia é agora saber de onde saem os transportes para Berat. Os jovens não sabem e os mais velhos não comunicam em inglês. Ainda assim, confio em indicações para determinado lado da cidade.
Aconselham-me a ir de autocarro, mas preciso esticar as pernas e a mochila não pesa assim tanto. Uma hora depois, encontro o caótico terminal. Que nem cheguei a perceber se era “oficial”.
À saída do complexo, uma carrinha que diz Berat. Dirijo-me na sua direção, mas sou “desviado” para transporte a 20 metros que aparenta ser mais confortável. Entretanto, uma de nove lugares parece mesmo de saída e descarto-me de quem me tinha mudado o rumo há meros três segundos.
A minha opção não agradou. Os motoristas discutem. O do carro em que sigo tenta partir, mas o outro cavalheiro entra na carrinha a bloqueia a saída. Ninguém entra/sai enquanto não lhe apetecer. Discussão de nada vale. Mantém-se firme.
O transporte que me pareceu sair mais rápido acaba por ser o último dos três a partir. Ainda assim, confio que terá sido o primeiro a chegar. Voámos. Literalmente.
A uns 50 quilómetrosdo destino, o meu intestino exige paragem urgente. Tenho sorte com a bomba de gasolina. É minimamente higiénica. Regressou perante o olhar inexpressivo dos companheiros de viagem.
Chegaremos a Berat em oito horas, resultado pouco eficiente para a distância exigida.
Saltamos o primeiro hotel, fazemos o mesmo com o segundo e o terceiro, o mais caro, baixa-nos a tarifa para os 35 euros por noite em quarto vistoso de unidade arquitetonicamente muito bela.
O Mangalemi deixaria saudades. Pelo charme e qualidade do serviço. E uma varanda com vista para a zona história, na qual está inserido e perfeitamente integrado.
Estou pronto para explorar….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?