BASEzzzzzzzZZZZZZZBALL

América do Norte Estados Unidos

Se há desporto tipicamente americano, baseball é o seu nome. O futebol americano já tem mais adeptos – e o basquetebol está a caminho -, mas qualquer cidadão nos garante que esta é que é a verdadeira modalidade nacional.
Os adeptos das duas entram e sentam-se misturados. Aqui, não há vestígios de agressividade. Apenas rivalidade. Comprados pela internet, os nossos bilhetes são validados por cartão de crédito no torniquete de entrada por máquina especial. Azar: são três e o papel acaba após imprimir o primeiro.
Plano B, somos levados para os serviços centrais. Oportunidade única para percorrer parte dos bastidores do mítico US Cellular Field. Vemos heróis nas paredes, muita gente entusiasmada, atarefada, sorridente.
Subimos apenas quatro andares em elevador privado, o suficiente para conversa animada com o simpático funcionário que o controla. Na verdade, se há coisa que não nos podemos queixar neste país é da falta amabilidade.
Já falhamos o hino e o desafio já principiou. Ainda assim, os corredores de tendas de comida estão cheios. Jogo não é jogo sem hotdog, hambúrgueres ou o que quer que seja. É uma festa para a família e é hora de refeição: a partir começou às 19:00.
São nove as vezes que cada equipa ataca/defende. No fim, somam-se os pontos de cada volta que um jogador completou, nas quatro bases. A ideia é atirar a bola para fora do recinto de jogo, completando assim um “home run”. Veríamos três. Os da casa, com direito a fogo de artifício.
Os Yankees começam melhor e lideram 4-0 ao quarto “inning”. Os White Sox parecem impotentes para recuperar, mas lá conseguem o milagre: empatam no último jogador do derradeiro ataque. Prolongamento.
Havia perto de 26.000 no estádio, nesta fase já cerca de metade perdeu a paciência. Nós, resistentes puros. Ainda que mais do que impacientes.
O baseball tem momentos de entusiasmo, mas em espaço temporal que escorre por entre os dedos. Nesgas que não chegam a preencher a alma. Pelo menos a nossa.
O desafio tem, exatamente, 4:01 horas. Na verdade, 04:00 horas quase sempre entediantes e um minuto final épico, que mudou radicalmente a face do jogo.
No último ataque, já resta apenas o derradeiro dos três batedores. Já tem dois “strikes” (bolas “boas” que não conseguiu bater) e com mais um o jogo acaba com 5-4 para os nova-iorquinos. Há duas bases preenchidas. O estádio levanta-se: para ir embora, ou para festejar o que já ninguém espera.
O impacto leva a bola a quase home-run, mas não é necessário, pois quando as voltas dos atletas colocados nas bases são completadas já o banco dos White Sox invadiu o campo para festejar triunfo que já soava a mais do que improvável. E como os confiantes e ricos Yankees amuaram…
Estranhamente, tirando esse minuto mágico, visto apenas por cerca de um terço dos adeptos que inicialmente compuseram o estádio, o maior entusiasmo acontece nos tempos mortos. Todos se esforçam para aparecer na câmara que fixa, por efémeros três segundos, um ponto na bancada. É o momento mais festejado.
Surgem, depois, 1001 distrações em cada uma das múltiplas pausas, com os adeptos sempre de olhos no ecrã gigante. Aliás, muitos parecem mais ansiosos por esses momentos do que pelo jogo, que, na nossa escassamente qualificada opinião, parece uma tremenda seca.
Não podemos deixar de experimentar um hotdog. 5.50 dólares por mísero bocado de pão com robusta salsicha alemã. Valeram-nos os molhos e a cebola, à vontade do freguês. A isto, há a somar os 23 dólares do bilhete mais os 20 do parque.
Alex Rodriguez era permanentemente assobiado. Julgamos que teria trocado os White Sox pelos Yankees. Afinal, é crítica antidesportiva, uma vez que o “13” foi apanhado nas malhas do doping.
A imagem mais forte que me fica do jogo é um jovem de uns 25 anos. Grandes headphones e tricô. Não confirmei no fim, mas não lhe faltou tempo para amanhar uma boa camisola de lã.
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Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?