MILLENNIUM PARK

América do Norte Estados Unidos

Violinos. Violoncelos. Piano e harpa. Instrumentos de sopro. E precursão. Uma cascata de sons do mais puro e cristalino. Não quero abrir os olhos, mas cedo, não fosse perder boa parte da festa. A impressionante sala de espetáculos do Millennium Park é, em si, um deslumbramento. Um dos lugares que nos marca. Garante espaço na nossa memória futura. Um monumento que confere à paisagem uma singularidade difícil de esquecer.
Sentados na plateia ou mais atrás, gozando o abraço da relva, a arquitetura de Frank Gehry emociona-nos com o som certo. Ouvimos o ensaio para a peça do fim da tarde, que não poderemos ver. Vingaríamos a desfeita com quarteto de jazz no dia seguinte. O Millennium tem um vasto programa de atividades gratuitas para o público. Não é por acaso que é considerada a principal obra na cidade no último século.
O Pritzker Music Pavilion, como é conhecido, foi concebido pelo conhecido arquiteto Frank Gehry. Inspirou-se e desde 2004 que nos conduz pelo mesmo caminho.
Ao lado, o “feijão” mais fotografado do Mundo. A “Cloud Gate” é uma obra da indiana de origem britânica Anish Kapoor. Cativa pelo reflexo dos incontáveis que o fotografam. Com natureza e as múltiplas torres da Windy City como pano de fundo. Reflete-as e distorce-as.
Aguaceiro dissolve a multidão, que se apinha no seu aconchego. Sinto saudades de chuva no rosto. Indiferente a tudo, saboreio o momento. A chuva é amiga. Carrega-me de energia. De boas vibrações. E liga-me, ainda mais, à natureza. Deixo-me ir com momentos destes…
Terei direito a foto sem testemunhas na imagem digital. Um raro milagre, dada a afluência de gente a cada segundo do dia. O Marcos tira fotos sublimes. A sua arte rivaliza com as dos que concretizaram este sonho na cidade do vento.
A Crown Fountain são duas interativas torres, de tamanho quase babilónico (na perspetiva das múltiplas crianças que usufruem da sua “seiva” – na prática, 15 metros), transformam-se em cascatas que fazem a felicidade geral. Pequenos irreverentes e grandes ousados e indiferentes ao que pensam os estranhos. Arte pública em arrojada escultura de vídeo. Granito refletor da responsabilidade do catalão Jaume Plensa.
Aqui, a audição fala pelo lugar. Alegria, risos, muitos gritos de excitação. E “splash’s” sem fim. As torres são multimédia e vão exibindo rostos diversificados. Desconhecidos de cuja boca saem, de quando em vez, litros em forma de chuveiro que os pequenos disputam com inusitado frenesim.
Experiencio o mesmo que eles. Sabe-me à melhor das cachoeiras que experienciei em El Salvador ou Filipinas. Isso agora não interessa. Nem o fato da roupa passear colada ao corpo nas próximas horas…
O escultor é japonês e as suas exposições cativam. Na primeira, como que coloridos porcos-humanos (cabeça de um e tronco do outro) de quase dois metros. Na verdade, trata-se de Tanuki, uma figura que se acredita ser um malandro que causa problemas tanto no mundo humano como no sobrenatural. Na outra, simples “menires” com originais combinações de cores e padrões. Jun Kaneko é pioneiro em esculturas de cerâmica.
Há ainda uma ondulante ponte pedonal, igualmente de Gehry, que desfrutamos até meio, pois a outra parte está em reparação. Ainda assim, uma perspetiva mais elevada.
Longe do tamanho do vasto Central Park, em Nova Iorque, o jovem Mi llenium (é apenas uma parte do Grant Park) é, em si, uma obra de arte no coração de Chicago. O justificado orgulho de uma cidade cosmopolita virada para a modernidade, sem esquecer os valores da natureza e requinte cultural. Um espaço para qualquer tipo de visitante.
Despedimo-nos dele ao som de jazz. Milhares na plateia e outros tantos espalhados pela relva. Muitas mantas. E comida e bebida a condizer. Desde o pic nic mais simples ao jantar mais requintado, com direito a vinho fresco e “frappé’s” . Para a próxima, não estarei desprevenido….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?