ONDE ESTÁ A CONSCIÊNCIA AMERICANA?

América do Norte Estados Unidos

ALEC (American Legislative Exchange Council) reúne em Chicago e os seus cidadãos não ficam satisfeitos. São largas centenas – de todas as idades, indistintamente do sexo – que empunham cartazes e gritam palavras de ordem contra estes poderosos. Simplesmente, não os querem aqui. Nem em lado algum! Acusam-nos de trabalhar apenas em proldas grandes empresas, inevitavelmente em prejuízo dos cidadãos e dos seus elementares interesses.
Não se vislumbra ninguém com instintos ou atitudes mais violentas. Nem resquícios de ambiente a escaldar. Sinais de manifestante desejoso de perder o controlo ou mais exaltado. Ainda.
Mesmo assim, novos e velhos, brancos e negros, unidos tanto no protesto como na proteção de fortíssimo contingente policial.
Surpreendentemente, não vejo ninguém parar e apreciar a ação. Em Chicago parece não haver tempo para os simples curiosos. A vida imprime um ritmo que não permite desperdício de minutos. Os cidadãos circulam e parecem alheados desta ação. Firme, mas tão dentro da lei que não chega a condicionar o trânsito.
Finalmente, a concentração em frente a um hotel, o Palmer. Onde decorre o encontro de três dias dos maus da fita. Ou dos seus alegados testas de ferro.
“Levantemo-nos pela classe média”. “Salários mais baixos provocados pelo ALEC”. “Recuperemos a lei”. “ALEC, a mão por trás do fascismo corporativo”. Tudo frases de repulsa contra o organismo, que cumpre quatro décadas de reuniões.
“ALEC 40 anos a servir os ricos e a supremacia dos brancos”, cartaz envergado pelo que poderia representar, fisicamente, o mais puro dos arianos.
“Não vamos desistir, nem ir embora”, ouve-se, em firme coro.
O protesto iria azedar e acabou com sete detenções. Alguns Media retratariam os manifestantes como anarquistas e outros mimos similares. A “mão” do ALEC?
Nas ruas, apenas uns quantos preocupados e a tentar zelar pelo interesse de todos. Como dizia uma sexagenária em orgulhoso cartaz, “onde está a consciência da America?”..

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?