JESSICA & HERNAN

América do Norte Estados Unidos

Chicago ainda se passeava no retrovisor quando mergulhamos na incógnita Milwalkee. A chamada visita de médico, uma vez que Jessica e Hernan nos esperavam mais a norte, ainda no lago Michigan, em Green Bay.
A cidade mais populosa do Wisconsin (600.000 habitantes) foi fundada por missionários franceses e comerciantes da região e foi desenvolvida no século XIX com forte contributo da emigração alemã. Grande influência em autênticos casas palacianas, entre os exemplares mais belos que veria nos Estados Unidos.
A marginal ganha vida com múltiplas atividades de lazer, com diversas atividades aquáticas e nos verdejantes parques. Acabou por ser tudo visita rápida. Ficou curiosidade por saciar.
O GPS facilita a vida e à hora combinada estávamos em casa do casal couchsurfer. Hernan, experiente professor universitário chileno há muitos anos a lecionar no Canadá. Jessica, jovem estudante de jornalismo com forte aptidão por fotografia.
Hernan está em casa e faz as honras na primeira hora. Volta mais tarde com Jessica que nos cumprimenta efusivamente, como se há muito não nos víssemos. Um pronuncio da excelente relação que teríamos. Está tão entusiasmada quanto nós. O seu perfil no “CS” é muito interessante e em nada fica a dever à estimulante realidade.
Acordamos que o jantar será mexicano. “Conheço um lugar onde a comida é excelente e não conheço quem consiga acabar o prato, de tanta comida”, desafia Hernan.
Um batido de ananás de um litro ajuda-me a combater parcialmente a “bomba” mexicana. Tem tanto de deliciosa quanto de picante. É quase prova de masculinidade comer sem praguejar. Ainda assim, creio que a melhor que já comi deste género.
Todos estamos cansados e a noite termina no seu belo apartamento, em esplendorosa zona residencial nos subúrbios. A conversa é estimulante e prolonga-se pela noite. Hora de dormir. Pela segunda vez, levo à letra o “surfar no sofá” de alguém estranho.
“Antes de seguirem para o Michigan, sugiro uma visita ao mercado dos agricultores. Ali, tudo é genuíno. Apenas se vende produção própria. Tem muitas coisas interessantes”, tenta-nos Jessica.
Acreditamos em quem sabe. Na manhã seguinte, já estamos a deambular por legumes/fruta biológica e um sem número de subprodutos que são especialidade local. “Criatividade com qualidade”, asseguram-nos.
“Curds” é um tipo de queijo com textura de borracha. Saboroso. Depois há compotas de inúmeros sabores. E molhos. E mostardas. E muitas outras coisas que ficarei sem saber exatamente o que eram. Há também legumes que nunca vi. Fruta que nunca provei. Trato de me por a par, no que é possível.
Há um pirata ENORME a cirandar no mercado, como que completamente perdido. Agarrado a uma bússola. Vai perguntando se alguém viu o seu barco e tripulação. De tão genuíno, parece real. Apenas as crianças o entendem.
Não deixaremos Green Bay sem ver o orgulhoso estádio dos Packers, equipa de referência no futebol americano. E não só por ser da cidade mais pequena representada na prova, com a área metropolitana a rondar somente os 250.000.
“É a única equipa das principais ligas profissionais dos Estados Unidos possuída por uma cidade. Os jogos da fase regular estão lotados por um período de 80 anos”, garante-nos Hernan. “A devoção desta gente à equipa é algo único no país. Não vi isto em nenhuma outra modalidade. É mais do que uma religião”.
O último título no Super Bowl é recente.  Já ganharam 12 campeonatos na NFL, o que dá a cidade o cognome de “titletown”, “a cidade dos títulos”. Os Green Bay Packers são, também, a única equipa sem fins lucrativos.
Bom, é tempo de partir. Norte continua a ser o caminho. Fica a convicção de que muito haveria para desfrutar com Jessica e Hernan, que tão forte marca deixaram. Acredito que, mais cedo ou mais tarde, ele conhecerá Portugal e ela regressará ao país que a encantou no passado….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?