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Sua Excelência, Perth

Austrália Oceania

Foi há cinco anos que o Kings Park de Perth teve um dos seus momentos áureos. Uma logística complicada. Mais de 20 homens responsáveis pela missão que incluiu viagem terrestre de seis dias. Sábado à noite era o grande momento, mas o entusiasmo foi tal que as mais de 3.000 pessoas extasiadas com esta operação de salvamento acabaram por “bloquear” (com as viaturas estacionadas) as artérias de acesso ao Kings Park. Impediram que o TIR de significativas dimensões pudesse circular e assim completar o seu desígnio. Tudo foi transferido para a manhã seguinte.A “jeitosa” (recupero o nome verdadeiro da espécie, mal me lembre dele) é uma senhora árvore de respeitáveis 750 anos e 37 toneladas, com 2,5 metros de diâmetro. Como ia ser abatida em nome do progresso – sobra espaço vazio na Austrália, mas a estrada tinha de passar mesmo “ali” – o Kings Park aproveitou a deixa e organizou uma gigantesca e bem-sucedida operação que levou este majestoso exemplar numa viagem de cerca de 3.400 quilómetros, desde o território do Norte. Este é um exemplo perfeito do empreendedorismo dos habitantes de Perth, a cidade mais isolada do Mundo (Adelaide é a capital de estado mais próxima e está a cerca de 2.700 quilómetros). Aliás, só assim se explica o sucesso de uma metrópole (entre as cinco com melhor nível de vida no Mundo) em território inóspito. A árvore desta história é apenas um dos imensos pontos de interesse do Kings Park, sem dúvida o grande ícone de Perth, a quarta maior cidade da Austrália, com cerca de 1,7 milhões de habitantes.
O capitão James Stirling fundou-a há “apenas” 180 anos, pelo que “história” centenária comparável à Europa é algo que aqui não se pode encontrar em edifícios, aliás a exemplo do que acontece em todo o país. O essencial de Perth, sem dúvida um local abençoado por uma luminosidade invulgarmente cristalina, vê-se num dia. Foi o que fizemos, aproveitando as três linhas de autocarro grátis que circulam pelos principais pontos de interesse da cidade. O Kings Park (faltou dizer que alberga centenas de espécies endémicas de flora, das mais belas e invulgares que se possa imaginar), um saltinho a Fremantle (onde ficámos instalados) e um dia (ou mais) na Rottnest Island (por 70 dólares, meia hora de viagem até uma ilha com praias paradisíacas e uma fauna e flora típicas) são os “must do” da zona..

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?