Tags:

Lateiros???

Nova Zelândia Oceania

A comida começa a ser incomodativa obsessão. Se não estamos de talheres em riste, estamos a elaborar mentalmente a próxima refeição, a planeá-la.
A Nova Zelândia tem imenso para oferecer, mas, infelizmente, gastronomia rica, saborosa e variada é algo que vai tardar. Se algum dia chegar. Fish & Chips é um conceito importado que ganhou adeptos entre os locais, mas muitos torcem o nariz a esta iguaria. Não é por acaso que facilmente se encontram restaurantes de várias outras paragens, com destaque para chineses, tailandeses e japoneses. Os asiáticos começam a povoar o país e a arrastar os seus hábitos e costumes.
Bom, com a lamentada falta de oferta local – e como várias vezes ficamos instalados em lugares isolados, na natureza, sem um único restaurante – cozinhar tem sido opção regular. Aliás, na onda do que nos tinham aconselhado.
Diga-se que temos feito furor – ainda esta noite três alemãs perguntaram-nos, por duas vezes, para que não ficassem dúvidas, como se fazia o delicioso arroz de marisco (com legumes, adaptação nossa) que lhes demos a provar – pois tratamo-nos bem. Apostamos sempre nos vegetais e preferíamos carne ao almoço e peixinho ao jantar.
O problema é que com a mobilidade que temos e a incerteza de restaurantes nas zonas desérticas (na ilha sul há apenas um milhão de habitantes, concentrados nas cidades, pelo que sobram locais ermos de gente), muitas vezes temos saído de um faustoso almoço para um luxuriante supermercado, fazendo compras já com certa náusea de comida, mas sabendo que sem estas precauções os nossos pneuzinhos vão sofrer, por falta de adequado combustível.
Estamos a equacionar a possibilidade de reverter a situação, mas afigura-se cada vez mais provável o regresso a Portugal com uns quilinhos a mais na “bagagem”..

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?