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Best Food Award goes to…

Nova Zelândia Oceania

Nos hostels que temos frequentado, temos, com visível satisfação dos nossos estômagos, sido “estrelas” na cozinha. É impossível aos outros viajantes ficar indiferentes ao aspeto, qualidade e aroma da nossa comida. Pelo menos queremos acreditar que é isso que muitos olhares dizem. Sei que cobiçam as nossas obras de arte.
Pois bem, em Glaciar Franz Josef (esta terrinha já tem meia dúzia de ruas) entrámos noutro campeonato. A ampla cozinha de duas salas está à pinha e, ao que vimos, ficámos de olhos em bico. E não é pelo invulgar número de asiáticos (sul coreanos e japoneses) que labutam freneticamente na cozinha.
Como que só para nos chatear, toda a gente prepara elaboradíssimos pratos que, diga-se a verdade, em nada ficam a dever às nossas iguarias. Ficámos com vontade de experimentar alguns, mas limitámo-nos a trocar elogios e a perguntar o segredo.
Parte do nosso orgulho é recuperado com três alemãs – mãe, filha e amiga da filha – com quem travámos conhecimento na sauna. Sim, ia esquecendo esta parte, gira, da história. É imbuídos de calores e dengosos suores que nos apresentamos e combinamos continuar a conversa. Na cozinha.
Somos modestos ao elogiar as nossas aptidões. Somos humildes cavalheiros. A jovem cozinheira do outro lado mostra, claramente, um ar bem mais confiante pelos seus dotes.
Na hora da verdade, preparamos um arroz de marisco com legumes de fazer chorar uma rocha. Temos várias ervas aromáticas “emprestadadas” e isso permite-nos saboroso triunfo por… “KO”. Admitido pelas próprias donzelas, convenhamos.
Macarrão riscado cozido com molho de tomate aquecido por cima não é propriamente um prato que sirva para nos bater. Antes de irmos para a mesa, oferecemos-lhes o primeiro prato, para provarem no nosso inato e despretensioso talento.
Três minutos depois, já sentadas na nossa mesa, questionam e ouvem atentamente a explicação de como confecionar a iguaria que se fartam de elogiar.
Nada como as “nódoas” na cozinha deste mundo para nos elevar o moral….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?