E de um dedo em riste…

Nova Zelândia Oceania

Quando olho pelo retrovisor, não me apercebo bem do vulto que pede boleia. Reparo que tem chapéu e uma mochila. Parece ter cabelo claro e longo. No banco de trás o Zé Luís viaja com pouco espaço livre. Muito pouco.
Ainda assim, paramos. Recuamos uns 30 metros e deparámo-nos com uma jovem que precisa ir a uma cidade “a sério”. “Para comprar mantimentos”, justifica. Tem de percorrer uns 75 quilómetros para o fazer. Com uma grande mochila… vazia.
Atiro com Hungria e República Checa, mas erro na origem. Afinal, é polaca. Monika é de Poznan e é couchsurfer. Em agosto estive lá em trabalho e conheci vários CS’s da sua bela cidade.
Pouco depois, atiro com 27 anos. Diz-nos, sorrindo, que tem apenas 23. Isto podia estar a correr melhor… Nem isso – nem nada – estraga o ambiente. Chama-me judeu um par de vezes. É justo. Mereço. Já nem me lembro das afinidades que aponta, mas nenhuma tem a ver com dinheiro. Pena…
Monika viveu quatro meses na Austrália, até ser deportada. Insistiu na jornada no outro lado do planeta e anda há uns meses a viajar tranquilamente pela Nova Zelândia, antes de apostar, mais tarde, em “mais quatro ou cinco meses na Ásia”.
Logo ali, sei que devíamos tê-la estrangulado. Mas esta terra amansa-nos, torna-nos sensíveis às belezas da natureza. Não conseguimos fazê-lo.
A meia hora em que lhe pudemos ser úteis continua com uma pausa para “trincar” algo, trocar contactos e deixa-la no melhor ponto possível para poder seguir viagem.
Bonito o gesto de nos abraçar na despedida, como se já bons amigos fossemos. Fica a promessa de nos visitar em breve….

 

PS: Vários anos depois… apresento Mónica a Amigo, na sua Poznan. Vive em Portugal e casam este 2016 🙂 A vida é bela…

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?