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Ayers Rock

Austrália Oceania

Logo que do lado oposto os passageiros colam o nariz à janela, percebo que, desta vez, estou do lado errado do avião. As expressões de espanto sucedem-se a ritmo crescente e não é complicado entender que as prevaricadoras objetivas (proibidas na fase final dos voos) apontam ao Uluru, a rocha sagrada do povo aborígene.
Resta-me fazer figas e esperar que o piloto dê meia volta. Quando a asa do meu lado começa a levantar e passo a ver apenas céu, sorrio. Vou ter a minha oportunidade.
O A320 da Qantas dá a volta e aponta à pista de Ayers Rock. Não é mais de um minuto, mas os meus olhos deleitam-se com aquele sólido alaranjado. Do outro lado, o Carlos pôde saborear o momento durante mais tempo. No lugar colado ao meu, Zé Luís não fala.
Sair do avião e sofrer violento soco de calor é impacto pouco agradável. Caminhar uns 50 metros até ao minúsculo hangar ainda deve ter produzido meio litro de suor. A cada um.
O transporte para Ayers Rock (minúscula povoação com três ou quatro unidades hoteleiras, um pequeno supermercado, polícia, correios, bomba de gasolina e três/quatro lojas de souvenirs) é gratuito, mas a generosidade acaba aí.
50 dólares é o que cobram aos turistas para os levar a ver o nascer ou por do sol. Uma boleia de uns 20 quilómetros paga a peso de ouro. Ou platina.
Ainda assim, nada como ter liberdade de movimentos, por isso alugámos um carro. Dá-nos deu-nos asas para voar até onde desejarmos. Os estipulados 100 quilómetros por dia não dão para nada (pagaríamos caro os km remanescentes), pelo que pusemos o encanto natural em ação. Conseguimos que o limite passe para os 250.
Estamos prontos….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?