ULURU

Austrália Oceania

Numa paisagem muito plana e surpreendentemente verde, os tons alaranjados do Uluru sob o cristalino azul do céu provocam um impacto ainda maior aos visitantes (dizem que são 400.000 por ano, mas a verdade é que nos dois dias em que lá fomos não teremos visto mais de 250, o que estraga a anunciada média).
Mal saímos de Ayers Rock, começámos a ver a imponente rocha, que está ainda a uns 20 distantes quilómetros. Curva após curva, vai ganhando forma e dimensão. Não resistimos a fotos precoces, apanhando cada ângulo novo que se nos depara no horizonte.
Finalmente, chegámos à sua base. Enfrentámo-la com espanto. É efetivamente grande. Monstruosa. Bela. Imponente.
O verde caminho pedestre em torno do Uluru tem 10,6 quilómetros. Sob o calor que verga, é aconselhável beber um litro de água por hora. O mais normal é esta aventura exigir cinco. Hummm… peso a mais. E não achámos que faça muito sentido.
O Mala walk tem apenas dois quilómetros. É essa a opção ao final do primeiro dia. No segundo pôr-do-sol que contemplamos no Uluru, fazemos parte do Lungkata, com o dobro da distância. A rocha é disforme consoante a perspetiva que dela se tem.
Ainda em Portugal, já sabíamos que não íamos subir o Uluru. Há quem o faça, mas isso é um desrespeito total para o povo aborígene. Após a vida térrea, a sua alma repousa aqui. Caminhar sobre o túmulo de outros não é propriamente a melhor forma de os homenagearmos. Infelizmente, continua a haver grunhos um busca desse “troféu”.
O que surpreende é o aviso com o pedido para não subirmos (com tantas regras castradoras na Austrália, não custa proibir ASSERTIVAMENTE esta aventura) e na face principal do Uluru ter uma espécie de corrimão para auxiliar os prevaricadores. Um convite à asneira. Sem sentido.
Ao segundo dia, andámos também no Kata Tjuta. Não se trata de um, mas de vários rochedos. Igualmente um lugar sagrado para aborígenes. Sob o tal calor implacável, fazemos o Walpa Gorge e parte do Winds walk.
O Centro Cultural, na base do Uluru, conta parte da história do povo aborígene. As diferentes nações (a Austrália está dividida em vários países aborígenes), as crenças, o modo de vida. São apresentados objetos do quotidiano e um vídeo, de qualidade ultrapassada, sobre a forma como sobrevivem às adversidades desta natureza rude e exigente.
Sem dúvida, um trabalho perfeito da que é a mais antiga cultura preservada do Mundo. Até que chegou o homem branco… (A foto acima retrata, na perfeição, o que o “homem branco” fez à cultura aborígene)  .

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?