Isto é TUDO NOSSO

Austrália Oceania

“Onde estão as pizzas?”, pergunto, pensando que nos teríamos, mais uma vez, esquecido de algo.
“No frigorífico”, respondem, em uníssono, Carlos e Zé Luís.
Tenho dificuldades em parar longa gargalhada. Realmente, isto parece tudo nosso.

Sempre que possível – e o rombo não é imoral –  procurámos internet. Em Alice Springs, a escolha recai na Pousada da Juventude. 10 dólares e podemos estar ligados 24 horas. O “problema” é que temos de estar num hot spot. Ou seja, temos de estar no local onde contratamos o serviço.
Havendo muitas coisas que precisamos fazer/ver na rede global, instalámo-nos pelo tempo suficiente para ter fome. Lá fomos ao supermercado. À “patrão”, trazemos ingredientes suficientes para cozinhar. Em casa alheia. Como se isso não bastasse, convidamos o Miguel. Travamos ainda confiança com um casal italo-francês. Educadamente, não podiam comer gelado e assim deixaram os habituais dois quilos de cookies apenas para nós. Sacrifício…
Na manhã seguinte ainda voltamos. Mesmo sabendo que não estamos lá instalados – a menina faz-nos a reserva para o nosso poiso seguinte e fica esclarecida – as rececionistas já nos cumprimentam como se fossemos da casa. Os melhores hóspedes do mundo.

Apenas para que conste: há meio século, Alice Springs tinha apenas 4.000 habitantes e não havia visitantes/turistas. Em 1954 a festa acontecia quando o comboio semanal vinha de Adelaide com o correio, jornais, filmes e peças para automóveis. Era um acontecimento que juntava toda a parca população.
A cidade que deve o nome à mulher do diretor de telégrafos de Adelaide mudou muito: agora anda perto dos 30.000 habitantes e por ano recebe mais de 400.000 turistas. Em boa hora contribuímos para a média. Vale bem um saltinho..

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?